Tive que dar a mão à palmatória...
Já não sou a "sabona" de outros tempos e pior... não quero continuar a ser.
Hoje acordei cheia de pica. Tinha aceite dar explicações ao filho de uma amiga que está no 10º ano e decidi começar por rever matemática. Já não dava explicações desde 2006/2007, por isso sabia que ia ser um desafio, só não sabia que seria tanto.
Sempre fui a marrona, a no-social-lifer, a queridinha do professor, a delegada de turma, a gorda das boas notas, e vivia bem com isso. Encontrava conforto em estar sempre a acompanhar a matéria, a fazer exercícios nas férias, a encontrar textos e exercícios na net para tentar ganhar vantagem... E era feliz. Pensava eu. Ou nem pensava.
Hoje, passados quase 14 anos, mesmo ainda conseguindo compreender a matéria quando a leio e explicar brevemente os conteúdos, dei comigo a gastar uma manhã inteira para voltar a perceber sobre lógica e conjuntos. E isso arrasou-me. Arrasou-me o ego, arrasou-me a alma, e arrasou-me porque tive que dizer à minha amiga que eu, que sempre fui o epítome da marronice, piti nerdi para alguns, ao 3º dia do mês de novembro de 2020, não seria capaz de ajudar o filho na medida do que ele precisava. E isso custou-me. Custou-me alguma revolta, alguma tristeza mas por outro lado, e como este blog é um humorário, convém dar a parte cómica à situação e aceitar que andar a aprender sobre inteligência emocional me permitiu parar a pedra que qual Sísifo vinha a rolar em direção aos meus reais cornitchos, porque convenhamos:
Trabalhar + ser dona de casa + ser professora de yoga + estar numa pos graduação + ser namorada + cozinhar + cuidar de si (banho, roupa para vestir, cheirar bem, não andar tipo ogre peluda) + respirar fundo + meditar + ler todos os livros que quero ler (tipo mundo) + desenhar + pintar + dançar + cantar + correr + o diabo a sete que o raio da miúda adora fazer coisas... Já é ocupação suficiente não?
E por hoje é isto.
Foi bom também perceber que dizer que não sou capaz não me torna menos.
Talvez, até me torne mais (para mim.).
