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Humorário

(um diário de rir para não chorar)

(um diário de rir para não chorar)

Humorário

05
Ago21

Estou numa formação do iefp

Humorosa

E não aguento.

Isto poderia ser tanto mais para todos os que aqui estão. Tanto mais!

Honestamente a única coisa que estamos a fazer é a gastar tempo, a cumprir com o ponto, a fingir presença, a morrer de corpo presente.

Sei que o mundo real é muito diferente do mundo unicorniano em que gostava de viver, e que por vezes ainda dou por mim a acreditar que existe, mas não consigo deixar de sentir paixão pela possibilidade transformacional de uma boa formação.

Uma formação que seja reeducação e mobilização da interação com as pessoas, para que elas verdadeiramente possam adquirir novas competências para sairem para o mundo melhores consigo mesmas. Mexer com elas. Deixá-las falar. Fazê-las falar. Fazê-las fazer. Interagir. Criar coesão. Criar grupo. Ser grupo. Aprender socialmente.

Isto de ter um formador a debitar lapaliçadas é doloroso para quem como eu quer, gosta e acredita que a educação tem o poder de mudar o mundo.

Sonho alto? Talvez. Mas é a minha alma que grita e agora ela já não se pode calar.

E obviamente a unica coisa que me dá alento é estar em modo parcialmente atento para ouvir pérolas com as quais poderei fazer humor mais tarde... ou daqui a mais uns dias, me aguardem!

28
Jul21

POCaralho

Humorosa

Começo este texto pelo seu título e pela primeira vez não o escrevo em letras garrafais conscientemente.

Olho para ele e penso que alguém se poderia ofender, que me poderiam cortar o pio, e choro copiosamente por dentro a pensar como continuo a ficar domesticada. Como me parece que cada vez mais tenho a noção do outro, do que o outro pode pensar, de como o outro se pode ofender. De como não ser essa pessoa que invade sem dó nem piedade a bolha actimel do outro. 

E de repente lembro-me de uma conversa que tive com o meu Respetivo. Dizia-lhe que quando morrer quero ter na minha lápide escrito "Viveu alegremente a invadir as bolhas actimel dos outros." (ocorre-me agora que nunca pensei se a Actimel me patrocinaria o mármore ... oh well) e decido mudar o título do texto para ter clareza (era mesmo caralho, na sua versão agressiva que eu queria deixar escrito e não C*r#lh$ como muitas vezes temos que fazer para limpar as palavras e torná-las "instagramáveis". Ao que chegámos. Até as putas das palavras têm sempre que ser bonitas. Tal como as emoções não são sempre bonitas, para mim as palavras também não podem ser sempre rebuçados embrulhados em papel dourado transformado por um Midas qualquer (e não é o gajo das Oficinas).

(Pausa para contemplar como o meu Humor é tão meu, e mesmo que venha aqui queixar-me do meu cérebro e das suas artimanhas, continuo sempre pasmada com esta impressão digital do meu pensamento que me faz sentir única e que até sei umas coisitas... É como dizia um ex lá do passado "O teu cérebro é o teu maior dom e a tua maior desgraça". Talvez não seja exatamente assim, mas a verdade é que há verdadeiramente uma luta interna entre utilizar a consciência para a criação útil e vibrante de coisas novas e interessantes e produção de lixo radioativo que contamina o corpo por inteiro e "hacka" todos os meus sistemas de alarme fazendo-me crer que há monstros por trás da cómoda... que eu nem sequer tenho no quarto.)

Voltando ao título mal afamado e mal amado deste texto. Quer pelas almas mais sensíveis devido ao Caralho explícito no fim da palavra, quer por mim, no que toca às três letrinhas apenas do início que me dão verdadeiras dores de cabeça.

Para quem não sabe e não segue o estaminé, a minha história de vida remonta algures no tempo, a uma vivência de violência psicológica que por vezes foi física. Claramente que ainda não fiz as pazes com esta história. Dou por mim muitas vezes, quando medito, quando estou em estados mais claros da minha existência a compreender que tudo o que aconteceu foi essencial para estar aqui, mas em momentos mais mundanos da minha existência, só me ocorre um chorrilho de palavrões para insultar todos os desafios pelos quais passei e que, claramente, deixaram sequelas no meu corpo. Sempre que ele se manifesta eu tenho duas escolhas: ou odiar o que me está a acontecer, ou aceitar e tentar fazer algo com isso, avançando (normalmente com humor) na vida. Considero que mais são as vezes em que escolho a segunda opção, ainda que, nos instantes iniciais, o meu default seja mandar tudo pro caralho e fazer aquela mítica birra de querer que fosse tudo mais fácil. Ou melhor, sempre fácil, a rolar, tipo aquela manteiga perfeita que se barra na torrada acabada de fazer e que torna aquele momento poético (ou de anúncio de televisão).

Então, dessa história e desse sítio de onde vim (e que tenho tentado ver se vou aceitando...) resultou também uma enorme transferência de responsabilidade adicional. Tudo tinha que ser perfeito. Mesmo quando os adultos não o eram, eu tinha que ser. Cresci sempre assim, a achar que tinha que fazer sempre o máximo, que um dia iria conseguir melhor, e que nesse dia me iriam abraçar e dizer o quanto me amavam e gostavam de mim. Esse dia nunca chegou. Pelo menos não da forma como eu sempre idealizei. O mais tolo é que eu cresci no meio de um barómetro estragado (como eu gosto de pensar), e acredito que por isso hoje em dia tenha esta necessidade enorme de equilíbrio, e de um equilíbrio mais ponderado. 

Lá atrás no tempo tinha um par de mãos que batiam e apontavam o dedo enquanto outro par acariciava e cuidava mas me prendia a si. Claro que ainda hoje, para mim, as mãos têm esta mesma ambivalência que me trespassa, e se por um lado assim que me sinto presa quero fugir, por outro sou eu própria a minha carcereira e mudei permanentemente o sentido do meu dedo indicador para dentro. Dizem que para sobreviver copiamos os modelos dos nossos cuidadores mesmo que eles não sejam saudáveis porque precisamos deles para nos alimentar e manter vivos. Eu sei que fiz isso. Eu sei.

Hoje tento lembrar-me diariamente que não vivo em casa dos meus pais, e mais que lembrar, sentir que neste novo espaço tenho movimento e direito a ser quem sou, mas só quem passa sabe o quão intrincados ficam estes padrões dentro do umbigo, e como eles nos atacam de dentro para fora, fazendo lembrar o Venom do Spider Man. É como se o veneno que ficou em semente, quando encontra um momento mais sensível, se infiltrasse pelo umbigo e cobrisse todo o corpo numa peçonha preta que, qual fato de latex da catwoman, ainda que sensual, não nos deixa mexer sem ser em direções específicas, e normalmente direções contrárias à da seta do tempo. Andamos para trás. E aí precisamos de parar um pouco, inspirar, mandar umas caralhadas e tentar seguir adiante, neste jogo constante contra a entropia e a favor do Amor, dessa energia de evolução que tenta constantemente fazer vingar a Individualidade de cada um, e por isso a Humanidade como um todo. Se conseguirá? Não sei. Mas o Amor tenta...

E é aqui, neste ponto, tentando dar-me Amor, que venho hoje.

Venho humildemente abrir novamente o meu âmago na esperança de redenção, na esperança de que a partilha, trazer à luz os meus demónios, faça com que eles deixem de ser sombra, porque como me disse uma vez alguém com quem me partilhei à beira da estrada, "Quando ligamos a luz o escuro desaparece" e honestamente é o que quero fazer hoje aqui - Deixar o escuro desaparecer, o meu escuro.

Então, como vos dizia, há todo um conjunto de "sequelas" (adoro que nunca tenha pensado nesta palavra com teor cinematográfico como neste presente momento que vos escrevo) com que fiquei deste meu início mais agitado na tribo a que chamei casa, nomeadamente Ataques de Pânico, Transtorno de Ansiedade, Contraturas no corpo, insónias, mais recentemente estes espamos-maravilha nos gémeos (que eu escrevo aqui, na tentativa esperançada de eu me fazer acreditar que realmente são mesmo só sintomas de ansiedade e não uma doença qualquer que me vai levar antes de tempo daqui) e por fim, o que me traz aqui hoje: POC - Pensamentos Obssessivo-Compulsivos.

E o que é isto minha gente? É eu estar tranquila após um dia maravilhoso passado no meu elemento-casa e de repente fechar a porta e pensar que não posso deixar a porta aberta, mesmo depois de a ter fechado, e ter claramente e racionalmente percebido que a fechei e por essa razão começar a encetar um baile abre-e-fecha ao estilo vira do minho para ao fim da terceira vez pensar - "Já deve estar bom" e seguir a minha vidinha como se nada fosse.

Ora pois que este comportamento também se repete com a toma da pílula. Posso estar a curtir "uma gelada" quando subitamente sou assaltada pelo pensamento "Será que tomei a pílula?" e de repente todo o meu mundo passa a girar e a orbitar sobre como resolver aquele problema, fazendo uma revisão pormenorizada como se tivesse entrado na torre do tombo das minhas memórias, à procura da última sensação, emoção ou imagem que me faça ter a certeza que sim. Bem vindos ao meu mundo. Sim, é fodido por vezes.

Ontem pois então que se sucedeu? Sucedeu que ao vir para a outra casa (a do Respetivo) se me assola a dúvida assombrosa de se teria deixado a água do banho ligada! Revisitei os meus arquivos da memória qual Lara Croft ou o outro que não me lembro do nome à procura da arca perdida, e só conseguia ter ecos de algumas coisas que apesar de me descansarem, me faziam desenrolar um rol de películas de enredos de filmes apocalípticos ou pós apocalípticos onde tudo acabava em fogo, ou inundações severas e onde o meu espaço de paz, calma e conforto, ou a minha casa-atelier era totalmente destruída e não restaria o único espaço onde eu me sinto realmente em paz. (Curioso esta merda, agora escrito faz-me refletir o porquê de isto ser tão persistente. Tenho medo de ser responsável pela morte do meu espaço criativo e do meu espaço seguro, e isso seria o epítome de ser incompetente e uma falhada! Olhem que bonito...)

Penso agora se essa minha casa-atelier não será também uma mão que me acaricia e me prende ao mesmo tempo. Talvez seja um reflexo do amor condicionado que aprendi e do qual sou tantas vezes refém. Se calhar um dia vou ter que me desfazer daquele espaço ou quem sabe transformá-lo finalmente em algo mesmo meu. São tantas as ideias que me atravessam que neste momento sinto a cabeça a explodir.

Continuo a sentir-me sem direção e honestamente continuar a olhar só para o botão da Rosa à espera que ele comece a florir já me está a causar uma urticária impaciente em todo o corpo, fazendo com que ele esteja alerta, como um soldado que espera ser chamado para a formatura. Estou livre e sinto-me presa. Devia aprender com o Mandela...

E só para terminar este meu texto-lamento-trágico-cómico, vinha ontem até esta casa e pensava para comigo como Deus tem sido tão paciente em me mostrar que ele existe e que temos mesmo algo que nos liga, algo que não vemos mas que está lá - a sua Graça, e que ela nos ajuda diariamente, nos anima, nos faz sentir acompanhados. Mas eu sou tão casmurra. Sou talvez a sua pior "crente". Mesmo tendo N situações que vos poderia enumerar em que sinto a benção da sua Graça, onde vejo e sinto, e experiencio sincronicidades, é como se ainda assim continuasse tal como continuo com os POCaralhos - a duvidar de mim. Será que vi bem? Será que senti bem? Ah isto deve explicar-se. Tinha uma probabilidade mínima de acontecer por isso é que aconteceu. Devo estar a fazer histórias. De certeza que há uma probabilidade de acontecer por isso pode continuar a ser um perigo/risco. Se calhar para acreditar tem que acontecer 3 vezes. Cheguei até ao cúmulo, como bela perfecionista que sou de fazer uma lista das Graças, com data e tudo, para ter a evidência factual de que elas aconteceram efetivamente e que não, não é fruto da minha frita cabeça. (Ao que uma gaja chega.)

No fim de tudo isto, quando a angústia aperta e eu acho que não consigo fazer, dou comigo a olhar-me ao espelho e a dizer coração-na-mão que se morrer pelo caminho, pelo menos tentei...

23
Jun21

Solta-te, liberta-te

Humorosa

Bons dias a todos e a todas e a todx e a cenas e a coisas.

Ou "Menu Bom dia!" como disse um rapazinho que ao meu lado queria pedir um Menu pequeno almoço na padaria portuguesa.

Mas adiante.

Hoje venho aqui expurgar primeiro os meus demónios raivosos, ao som do Solta-te, liberta-te, isto porque ando aqui num desatino que, ou é de estar a caminhar para cota, ou então é só aleatoriamente chato mas ainda assim irritante.

Ora pois que quem acompanha o meu rico blog sabe que eu tenho nos últimos tempos sido afortunada e me safado de problemas de maior após duas quedas, uma de cu, outra de joelhos, uma situação de desemprego, dentes do siso e lá o caralho, problemas relacionais e existenciais, e ainda - cereja no topo do bolo - lidar com a minha Ansiedade, ou miss Alice como gosto de lhe chamar que por vezes toma várias formas antes de me visitar, seja sob a forma da bela Insomnia, ou do tremelique vibrador, ou do coração-tunning-de-chelas, enfim, uma míriade de formas e desenhos que só ela sabe inventar. Às vezes vêm todos! E aí "vamos fazer uma festa....bolo e laranjada muitos doces para ti... é o teu aniversário...."*

Pois que no meio deste fadário todo, tenho agora também para tocar no álbum "disgraces not so bad because you're still alive" as seguintes músicas:

  • Allergo - uma música cujo beat é feito só com fungar de nariz, pingos de água límpida a cair em lenços de papel e um som áspero de coceira em braços humanos. O refrão é mais ou menos assim:

"Ácarosssssssssss, pêloooooooosssss,

pequenas partículas bailando ao som dos ventos

retirando-me capacidade de pensamentos

deixando vermelho o meu nariz, tal qual petiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiz...

parece constipação, mas não é não,

sei o que é sim... Atchim atchim atchiiiiiiiiiiiiiiiim..."

(obrigada, obrigada, obrigadaaaaaaaaaaaaa!)

  • Flash Lux - uma música visual, feita com dois gémeos em descanso, mas que quando observados ou simplesmente em repouso se assemelham a mesas de mistura com pads luminosos que vão libertando as cores de forma aleatória, pulsando sem que seja pedido e/ou necessário. Este é o conceito de música inaudível visual aleatória. Gémeos cujos impulsos elétricos estão ao rubro em descanso. 

 

  • L'atom dubious - uma música vibracional que só se sente mas não se ouve e que mete todos os átomos em dúvida de tão intensa que é a sua frequência. Arranha por dentro, dá desconforto e faz sentir como se todos os vidros do nosso ser se fossem partir a qualquer instante. É o som da duvida existencial. Do "o que devo fazer?" "Devo escolher uma vida mais fácil, mais em fluxo? ou devo escolher a difícil, a mais dura, a que tenho que fazer overcome para ser mais e melhor?" 

 

Por fim, the last but not the least...

  • Hippocondriah - uma música ambiente sempre presente que sussura baixinho sensualona como aquelas vozes do "me liga vai". "É desta que quinas..." "É disto que vais." "Vai ser grave..." "De certeza que é grave..." "Já viste há quanto tempo andas a ouvir essas canções? Tá grave..." "Bué grave..." "Vai ser o martírio..." "Prepara-te... Estuda tudo, aprende tudo...vais precisar". E assim, sensualona, tenta seduzir-me para o seu espaço (muito pouco) seguro onde vou ser devorada por sereias que na verdade são bichos do mar.

E é isto meus senhores, as músicas que andam a ser o meu dia-a-dia, e que rolam pelo altifalante do meu ser.

Fui...

(só ali baixar o volume).

 

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* Música referenciada:

21
Jun21

Do meu interior nos dias últimos

Humorosa

Como é minhas pessoas assíduas que perceberam que aqui a gaja andou fora do boteco tempo a mais e agora se vem neste preciso momento redimir da sua ausência?

Podia ser bom sinal, sinal de que já tinha encontrado O trabalho. E note-se que me refiro a ele como O trabalho porque tenho feito O esforço de O encontrar e honestamente já começava a ficar na hora de me cruzar com ele.

Tem sido quase uma odisseia ao estilo do Tinder, em que honestamente os sentimentos envolvidos são muito parecidos. Swipe left, swipe left, olha este parece giro - começa a falar sobre vestir a camisola e as horas que temos que dar do corpo ao trabalho ... nop, next, swipe left, swipe left, puta que pariu mas será que não há trabalhos decentes e interessantes a serem divulgados? 

(atendo o telefone)

Sim, sim, é a própria. Entrevista? Claro. Empresa X (murmuro um sim como quem dá a entender que se lembra de ter mandado para lá o CV mas não faz puto ideia nesta fase do campeonato se mandou, se entregou em mãos, se mandou entregar, se foi um senhor do uber eats...). Ah então foi porque fui referenciada que vocês gostam mais de ter pessoas referenciadas (para não se portarem aparentemente tão mal por vergonha alheia né) do que fazer todo o processo de tentar CONHECER as pessoas. Pois claro. Ah e então é por isso que não existia anúncio(s de jeito). Pois sim sim, vamos agendar.

(desligo o telefone)

Penso para com os meus botões como já sinto que neste momento me parece que me estou a prostituir, deixando à vista os meus melhores atributos, numa tentativa de "olhem-me para este PAR... de ideias geniais que tenho neste meu cérebro super ativo e que só queria uma casinha fixe para lhe darem espaço para fazer coisas giras".

Mas o problema é que ao fim de quase 6 meses (que na verdade são 18, porque eu ando à procura desde Março do ano passado quando estava empregada e a ver que "isso ia dar merdaaaaaa... isso ia dar merda.... e deuuuu"* neste momento até os pedidos de exercícios dinâmicos e cenas fixes que eu tenho tanta pica para fazer já me parecem absurdos, anormais e um pedido que me tira do sério, porque de todas as vezes em que investi o meu tempo, me meti todinha todinha lá, veio de lá um "RADONDO" não, ou pior, *som de erva a rolar no deserto*, é do caralho minha gente. É do caralho. Não admira que o tempo ande tripolar, ou somos nós a dar-lhe espelho ou é culpa dele que andamos assim, sem tempo a perder para nos conhecermos mas queremos muito ser uma super equipa.

A melhor equipa. A equipa com mais liderança. Com o líder que é diferente de ser chefe, frase que me faz vomitar a cada vez que a oiço ou a vejo apregoada a uma foto pôr-do-sol num qualquer facebook ou até, pasme-se, linkedin perto de si.

Estamos numa era do PARECER. E para parecer não precisamos de ser. E quem é, está sujeito a um escrutínio, a uma carcerização, a ser convidado a ser original-mas-não-tão-alto-que-é-preciso-fazer-o-fit-nestas-quatro-paredes-pintadas-a-cin-ardosia-para-escrever-frases-inspiradoras-que-nao-usamos-mas-que-ficam-bonitas-nas-paredes-para-motivar-equipas.

Como dizia a outra "Blá blá blá Whiskas saquetas."

E quem quer fazer a revolução, como SEMPRE, historicamente, ou vai ficando de fora, ou é cauterizado, encostado para canto, começando a achar que não vai encontrar um espaço onde possa ser verdadeiro e cumprir o seu propósito. Sendo que a palavra propósito também já me dá calafrios. Que isso de propósito também é algo que podia ser melhor definido como algo que podemos fazer para maximizar o potencial da humanidade. Aí, ninguém andaria em coaching à procura do seu "propósito" porque caramba, esse propósito todos o temos, e se por ele fizermos algo já a nossa vida passou a ter um sentido e algo a que nos agarrar nesta viagem por vezes tão curta mas que temos e DEVEMOS saborear.

Ontem fui ver a exposição do Ai weiwei e foi toda ela um soco no estômago. Toda.

Para mim foi a prova de que a Liberdade de expressão, de existir com ideias próprias, continua a ser vista como uma afronta nos dias que correm e que realmente o potencial do Ser humano existe nas suas polaridades. Podemos fazer TÃO BEM, mas conseguimos fazer TÃO MAL a quem é diferente de nós, a quem nos pode fazer causar desconforto porque nos aponta para o sítio que fede, que tem problemas e que a maioria teima em não ver.

Ontem senti-me o Ai weiwei da minha família. E mais uma vez fui ao fundo do meu trauma quando falava para a minha mãe sobre a exposição e o quanto eu amei e senti que tinha que sair dali para fazer algo pelo mundo, pela humanidade, nem que fosse continuar a dar aulas de yoga porque já estou a contribuir para o bem-estar de algumas pessoas e pessoas que estão bem não têm necessidade de fazer mal. Como se quisesse sair dali a correr para continuar a fazer a minha parte, a alavancar a minha parte. A fazer o meu pedaço pelo mundo. A dar sentido ao estar Aqui e agora. E de repente do outro lado da linha, mais uma vez, como sempre faz e fez, um desvio de conversa, um ouvir tácito, implícito, como quem ouve porque faz parte, mas que não consegue ir além disso.

A minha mãe está cansada. Muito cansada. É enfermeira desde os 13 anos. É daquelas cuidadoras que põe os outros à sua frente e as suas necessidades (muitas das quais desconheço) nunca são ouvidas. Mas essa é a história dela. Se ela se empoderasse. Queria tanto mas tanto ouvir o seu grito de revolta. Talvez porque eu continuo a tentar dar o meu. A tentar fazer as pazes com o ser a "ovelha negra" da família, mas com uma certeza visceral que há ciclos que quero quebrar e não quero trazer comigo a bem da Humanidade que virá depois de mim...

Ou de mim.

Na exposição do Ai weiwei vi muitas atrocidades humanas. Lembrei-me de como Humanidade temos evoluído do breu escuro, peçonhento e podre para a luz, ou na tentativa de a alcançar, como um girassol.

E o mundo continuar a girar, contra todos os que diziam que quem girava era o Sol.

 

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*A música a que fiz referência é esta pérola:

05
Mai21

Uma questão de proporção estequiométrica

Humorosa

Ontem foi o dia de me recordar dos ensinamentos de Química. Eu era boa àquela merda. Mas boa ao ponto de ter sacado um 20 numa das faculdades de engenharia mais difíceis do país (daquelas que roubam a alma aos mais distraídos como quase aconteceu comigo...)

E porque é que isto é relevante? Porque tenho sentido a minha tendência de enviesar os meus "achievements" para o negativo, esquecendo-me e desvalorizando aqueles que foram reais prodígios (na minha medida apenas) como esta bela situação e como eu adorava fazer aquelas contas de proporções estequiométricas onde tudo batia certo e era previsível.

Bateu cá uma saudade e um desejo parvóneo de criança de que a vida pudesse ser assim... calculável, previsível, ponderável, equilibrável, entre outras coisas, equilibrada.

E de repente, aquela esperança unicorniana de acreditar no prazer de viver lembra-me que, bem vistas as coisas, ela até é assim, equilibrada, com proporcões estequiométricas, e que olhando bem, há realmente aqui uma qualquer proporção aurea a dourar o invólucro do sentir. 

O volume do soluto negativo tem sido maior do que o volume da solução geral, por isso, para equilibrar as coisas, basta lembrares-te de adicionar mais soluto positivo na solução.

E lembrares-te sempre que a solução és tu.

E tu sempre foste boa a Química.

😘

04
Mai21

Descobri que tenho a mania que sou importante

Humorosa

Ontem, num processo de escrita violenta como vómito entendi uma coisa essencial sobre mim.

Em primeiro lugar tive vergonha, depois fiquei triste, depois percebi que talvez tivesse extraído mais um pedaço de mim que me daria luz sobre as sensações desafiantes dos últimos tempos.

Tenho sido o corpo aberto para análise e a minha médica legista. E o mais bonito é que não estou morta. Mas por vezes o meu medo de morrer funde-se com a sensação de morte lenta, de mais-um-dia-igual-aos-outros que agora, por falta de energia ou força (sei lá eu) parece que não estou a conseguir transmutar.

Foi como se no início a raiva que tinha de tudo isto me estar a acontecer (leia-se pandemia, ajustes na relação, perda de emprego, quedas e questões de saúde) me empurrasse contra um batalhão de bárbaros qual Ásterix e Óbelix e começasse a desancar tudo à chapada... 

... mas eu avançava.

Ou eu sentia que avançava.

Agora quando acordo numa casa que não é minha, por muito que tente relembrar-me que a única casa que é minha e que é fixa é o meu corpo, é como se me faltasse a minha raiz, as minhas conquistas, os meus sucessos, os meus afazeres, aquela pressãozinha boa que me ajuda a sentir todos os dias que vou conquistar o mundo.

Agora parece que meteram a cassete em slow motion e os dias são feitos de um arrastar de pés, de um cansaço corporal que não sei de onde apareceu (mesmo que racionalmente me lembre que dou 8 horas de aulas de yoga), e de uma sensação de que estou a repetir o ano, olhando para a mesma pessoa vezes sem conta, sem conseguir olhá-la com novidade e magia por demasiada exposição diária mesmo que saia de casa vezes sem conta para regressar depois numa tentativa de olhar e pensar "E agora? Já te acho novamente mágico? Brilhante? Misterioso?Sedutor?" e depois percebo que vejo baço, esfrego os olhos e entrego-me à sensação de... sim, está baço. E talvez a culpa não seja dele, nem minha, seja de ambos, seja do mundo, seja sei lá do quê. Dos chineses talvez?! ahah

Mas não quero fugir com o cu à seringa. O tema que se quer trazer à luz do mundo para que se queime, tal como os vampiros quando se assomam à luz do dia é que EU SOU UMA MENINA EXTREMAMENTE MIMADA QUE QUER QUE O MUNDO GIRE À SUA VOLTA E QUE TODOS LHE SATISFAÇAM AS NECESSIDADES TODAS E NÃO TOLERA A FRUSTRAÇÃO QUANDO AS COISAS NÃO LHE CORREM COMO ELA QUER.

Algures numa das vezes que decidi fazer o meu mapa astral havia uma parte que dizia assim:

"You have an internal struggle between your needs and your wants."

E eu fiquei... foda-se. Não é que é mesmo?

Porque aqui a gaja sabe sempre o que quer, mas será que é disso que necessita?

Cheira-me que vou andar a minha vidinha toda à procura desta resposta....

Desta e da mítica:

"QUAL É A MEDIDA CERTA PARA AS COISAS CARALHO?"

E pronto, aos 32 anos descubro que na verdade continuo uma criancinha birrenta com o gelado que acabou de comprar e que lhe caiu no chão no momento em que ia começar a lamber, e que não consegue ver que pode decidir ver que o gelado caiu por um propósito maior como por exemplo não ficar com cáries nos dentes... O que explica o investimento enormérrimo que durante a vida adulta tenho vindo a fazer em dentistas.

É isto.

Obrigada e bom dia :D

03
Mai21

Reencontrei-me com a Alice

Humorosa

Este fim de semana foi súbito no meu reencontro com uma amiga mesquinha que já não via como deve ser há algum tempo. 

Cruzava-me com ela pontualmente, como se a visse de relance, assim de fugida, como quem cumprimenta o vizinho que encontra quando vai ao pão.

De vez em quando, como bem mesquinha que ela é, tentava aparecer e imiscuir-se demais na minha vida, quando eu a estava ocupada a viver. Queria roubar-me tempo, espaço, e sabor. Sim sim, que ela queria saber todas as receitas dos doces da minha vida. Ela era tão amarga que se alimentava de me roubar as receitas dos meus doces deleite(s).

Sempre lhe fugi toda a vida desde que a encontrei pela primeira vez aos dezassete anos naquele dia em que parecia que ela me ia levar com ela "para lá de Bagdad".

Depois aprendi que fugir dela era pior, porque quando mais fugia, mais ela vinha no meu encalço, não fosse ela uma parte da minha sombra. Comecei a aprender a conviver com a vizinha Alice, na esquina do meu ser, uns dias melhor, outros dias pior, outros sem saber como lidar com ela...

Convivi sozinha no meu mundo com a Alice durante três anos e parece-me agora quando olho para trás que foi mais fácil conviver com ela quando não tinha pessoas a esperarem nada de mim, do que agora.

Ontem, dia da mãe, reencontrei-me com a Alice em casa dos meus pais. 

Começou por me fazer cócegas nos pés deixando-os a pulsar, depois começou a apertar-me as pernas começando a deixar-me uma sensação de não ter força para as manter em pé se não contraísse as coxas, depois apertou-me o estômago, a mente, e fez-me comer sem prazer, sem orientação e sem escolher o que metia à boca.

A Alice sempre foi maravilhosa a obrigar-me a fazer coisas que não devia, que não queria, e que não me são úteis.

É uma magia que ela tem, um encanto sufocador de quem não pode olhar para a vida sem a ver a ela primeiro, em tudo. É uma egocêntrica. Sempre foi. Quer a minha atenção por inteiro, quer o meu corpo por inteiro, e da minha mente não se ficaria por metade.

Como tentei não lhe falar, porque agora já sou uma gaja que impõe limites, ela quis deitar-se comigo.

Desatou aos abanões às minhas pernas, como uma pequena birrenta criança que me puxa para brincar mesmo que eu não queira, agitou-me os braços, o coração que pulsava na mais pequenina veia do meu ser, embrulhou-me o estômago em papel de jornal numa pasta indiferenciada de coisas digeridas e por digerir, e deitou-se comigo...

... e não me deixou dormir.

30
Abr21

Pari mais um: o Humor poético

Humorosa

Buenas tardes vida!

Para quem leu o meu último post em modo Rocky Balboa, já sabe que a minha intenção era a de neste boteco poder encontrar 4 tipos de escrita de humor (o Rottweiller, o Zen, o Depré, e o Xitex), no entanto, hoje pari mais um: o Humor poético. E é nesse mood que se processará o rol balbuciante de hoje. (*som de voz a clarear*)

 

Encontro-me comigo numa dormência desconhecida

De repente todo o meu corpo se me estranha

Logo eu que ensino aos outros como não se estranharem a si próprios.

De repente vem uma tristeza, uma amargura, um desalento,

Sinto-os nos intestinos como se me roubassem o sangue do corpo,

E o deixassem de fora de mim,

Sobrando apenas, novamente, formigueiro.

Fugiu-se-me o calor das entranhas,

Do coração,

Da mente,

Do Ser.

Fugiu-se-me a alma para parte incerta,

E eu, procurei-a desesperada no que fui,

Nas memórias de quem fui,

Recuperando-as para mim,

Num esforço de pelo menos me lembrar de onde vim.

Não quero negar as minhas origens

Ainda que elas sejam muitas vezes a minha causa de dor,

Ou eu seja a consequência delas, 

Mesmo vendo que com a dor veio a resiliência,

Esta vontade de ser mais, de viver mais,

De acreditar que é possível sair do "tic tac estalado das máquinas de escrever".

As suculentas não querem água,

Eu preciso dela, desespero por ela,

E por isso não posso,

Não mereço,

Nem vou ser,

Tratada como uma.

Começa em mim.

Vou só ali regar-me.

Reerguer-me.

Como de costume.

26
Abr21

Escrevo a minha dor ao som de música cubana para ver se ela se transforma em rum

Humorosa

Acordo de uma noite em que o kebab do almoço de ontem andou a dançar danças de salão com o meu interior, numa ascensão e descida vertiginosas, como se de uma criança dentro de um elevador se tratasse e estivesse a carregar em todos os botões para cima e para baixo...

Acordo. O caralho é que acordo. Não dormi. 

Tanta coisa a acontecer e tantas dúvidas existenciais adornadas pelo intenso sabor do frango apurado indiano numa chapata tostada que nem era italiana nem um pão de mafra mas que ficava a meio caminho de ambos, e dá-se-me outra vez aquele medo estúpido de falecer.

Ai que não sinto o corpo. Ai que tá dormente, ai que está o coração a acelerar, ai que se me está a dar uma emoção de terror, ai que o gajo já dorme e eu tou praqui a virar para cima e para baixo que nem um frango decentemente assado na grelha de uma qualquer churrasqueira portuguesa (nada contra os indianos, mas ainda estou para perceber que carne de frango foi aquela do meu kebab, fosse gato condimentado, não teria dado conta, não fosse a noite revolta no vale dos lençóis).

Giro giro é que esta merda de escrever com música cubana traz logo uma leveza ao que vos queria dizer. Logo eu que tenho andado com uma sensação de que não faço ideia do que ando praqui a fazer, ao ponto de questionar as minhas capacidades apesar de estar a gritar internamente de forma meiga o quão espetacular tenho sido para aguentar tanta coisa ao mesmo tempo (relembro? queda? joelhos fodidos? mão esfolada? siso com o caralho? discussões de 4 horas na minha relação? ajuste aqui? ajuste ali? mudar de casa outra vez? gerir a sensação de estar a enlouquecer? não arranjar trabalho há já quase 1 ano e dois meses? enfim... tudo isso que só de escrever já me acidifica o kebab que já caguei... (perdoem-me a visão do inferno))

No meio de tudo isto ando a tentar colar os meus bocadinhos e a fazer listas de coisas que gosto que normalmente são encabeçadas por músicas da disney, seguindo-se-lhes o pão, dançar, cheirinho a café, escrever, cozinhar, desenhar, criar, poesia, caminhadas (que depois da minha primeira RM de amanhã voltarão à carga), apanhar sol, ler livros, comprar livros, organizar coisas, comer comidas novas, pintar, maquilhar-me, vestir-me com collants aos corações para partir corações aos ortopedistas, bolinhos de canela e erva doce com todas as formas e feitios... enfim, uma lista infindável de coisas que fazem o meu EU EU e que me fazem lembrar que não, não estou assim tão louca, tão perdida, tão desorientada...

Ainda respiro e como e "cumo" tal (só para os mais atentos ...) continuo VIVA e com capacidades de desfrutar desta vida lidando com imponente categoria, ou não, com este medo que assola qualquer ser vivo com capacidade de consciência - o de que iremos falecer.

Achei que uma queca ia resolver isto. Dantes resolvia. Mas se calhar não resolveu porque a dança sensual que fiz ao meu respetivo, após trancá-lo na varanda, resultou numa discussão porque ele não percebeu a minha intenção e achava que o estava a punir por me ter dito que eu tinha a mania de nunca tirar as meias de dentro das calças...

Como veem, só isto, já faz a piada do texto.

(qualquer humor ácido que possam identificar é apenas causado pelo suco gástrico em resultado de uma má digestão de um kebab comprado entre a almirante de reis e o martim moniz).

Já agora, fica a nota que de agora em diante me vou permitir a escrever os textos aqui no humorário de acordo com 4 tipos de humor. A saber:

  • Humor Rottweiller - Caracterizado pela raivazinha que acidifica a alma mas ainda assim divertido

 

  • Humor Xitex - Caracterizado pela alegria genuína de quem sente que vai conquistar o mundo. Pela excitação pode conter gralhas ou erros ortográficos

 

  • Humor Depré - Caracterizado pela nuvem cinzenta que só chove em cima de mim enquanto faz sol em toda a área que não sou eu, mas que ainda assim faz rir pela deprimência. Pode ser acompanhado de períodos de choro e riso em simultâneo quer de quem escreve quer de quem lê.

 

  • Humor Zen - Caracterizado por uma energia de puro relaxamento causado por inalar a aromaterapia natural do festival boom. A sensação é a de um budista a cantar mantras no meio de um campo minado e em guerra.

 

Posto isto, claramente hoje estamos em Humor Rotweiller. Dentinhos de fora, espumar da boca e bola para a frente que amanhã vou fazer a minha primeira Ressonância Magnética. Aqui vos prometo que se correr bem escreverei uma história infantil de seu nome: "A minha primeira Ressonância Magnética" com uma moral e tudo.

Até amanhaaaaaaaaaaaa meus senoressss

"me gusta mulata....se come tambíen... iri riririri bom...." (é o que tá a tocar enquanto termino post...)

Já estou a sentir a moca do Sparrow...

[ia pôr aqui um .gif mas o sapo mandou-me foder.

Eu ia, mas já o fiz ontem, e segundo parece é muito "agressivo" comer duas vezes seguidas banana...]

Auf auf...

(é o canito a ladrar...)

Fui.

22
Abr21

Tive um date de tinder... com um médico.

Humorosa

Bons dias alegrias (que é mais boa tarde mas não importa... e é aqui que começo a pensar que se calhar não estou tão desempregada assim, porque tenho começado os meus dias bem mais cedo do que o habitual (em média às 7h) e o cabrão do tempo escorrega-se-me por entre os dedos!)

Ora pois que a gaja andava manca desde que tralhou epicamente de trotinete devido à sua incapacidade de utilizar o córtex pré-frontal e aceder com clareza ao local onde estavam os travões, e decidiu marcar consulta num ortopedista.

Ora pois que já vos havia contado o quão orgulhosa estava da minha segunda escolha, isto porque o que meu primeiro impulso (tão característico da minha pessoa) foi escolher o primeiro médico jeitoso de fronha que apareceu na lista do hospital, isto porque, já que quando vou a hospitais os meus bpm estão sempre acelerados, poderia dizer a mim mesma que era porque o doutor era uma bomba! (E meus senhores, aquele mocinho tinha muito bom ar... para médico então, estava muito bem conservadinho. A questão aqui, foi quando respirei fundo e de repente à minha frente pude ler (para evitar o erro de não ver os travões como aconteceu na trotinete) "Especialista em próteses de anca e outras coisas que tal..." Ora muito orgulhosa da minha capacidade de análise racional fui correr à procura de um especialista de joelho e até de medicina desportiva... mesmo que fosse feio.

Bom, não era um terror, só não apelava à vista...

E a questão estaria toda bem se ontem não tivesse sentido que tive um encontro às cegas, daqueles maus do tinder em que pedes às tuas amigas para te ligarem para dizer que tens que abandonar porque o cão delas foi envenenado com chocolate e elas precisam de apoio...

Só que eu não tive nenhuma amiga que me ligasse. Tive que durar aqueles 10 minutos, pagar 32,50€, saber que vou fazer uma ressonância magnética que ainda por cima a gaja me disse que tinha que ir em jejum porque podiam ter necessidade de me ESPATAR (sim eu sei que se escreve espetar mas é para dar mais ênfase à coisa) uma merda pela veia para me fazer brilhar PU DENTRO... pagar por isso e quem sabe descobrir que talvez tivesse que ser operada ao joelho caso tudo corresse mal... Podem imaginar que os meus acarinhados pensamentos negativos começaram a fazer uma rave tipo BOOM festival mas com muita droga à mistura. 

Mas voltemos atrás, imaginem então euzinha, de vestido preto e collant aos corações a entrar pelo gabinete e a deitar o olho ao olho do médico.

"Boa tarde Dr."

"Boa tarde, então o que veio cá fazer?"

(na minha cabeça a resposta foi: "Vim jogar solitário ..." ri-me para dentro e saí-me com o sorriso mais bonito que tenho com:)

"Bom Dr., caí de trotinete elétrica, caí de joelhos, e mão, e agora tenho dores no joelho direito, aqui" (e começo a levantar-me para poder tirar os collants e ele ver e ele diz:

"Não precisa tirar. Aponte."

(O meu ar de pókemon confuso foi claríssimo...)

"Err... mas assim como é que vê?"

"Descreva a dor."

(Na minha cabeça: Olhaaaaaaaaaaaaa meu caralho, dói-me de fora pra dentro e sempre que levanto a coxa foda-se. Queres o nível? DOI PRA CARALHO!!!! Agora já não doí muito que andei quietinha e a fazer gelo que eu sou uma menina exemplar...)

"Bom, dói nesta face lateral e naquilo que me parece ser a inserção das estruturas do joelho. Mas não seria melhor observar?"

(Não vi mas aposto pela postura corporal que ele me fez um mega rolling eyes...)

"Bom, vá lá pra marquesa."

(Eu super cheia de vontade palpitante fui, deitei-me e ele começa a mexer e a perguntar "Dói?" "Dói?" "Dói?" e eu a querer interromper para lhe explicar que fazia yoga, corria, caminhava longos percursos e ele ainda me diz que "O yoga não faz carga nos joelhos...))

Levanto-me da marquesa, visto de novo os meus collants aos corações pretos e ainda sem olhar para mim diz-me "Pronto agora vai lá fora marcar a ressonância e depois volta cá..."

E aí inspirei fundo, fui buscar às minhas entranhas de artista teatral o meu melhor "SIM SIM" e bazei dali a achar que se eu tivesse pedido um pacote de batatas fritas num macdonalds em macdrive teria sido mais calorosamente tratada.

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