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Humorário

(um diário de rir para não chorar)

(um diário de rir para não chorar)

Humorário

26
Abr21

Escrevo a minha dor ao som de música cubana para ver se ela se transforma em rum

Humorosa

Acordo de uma noite em que o kebab do almoço de ontem andou a dançar danças de salão com o meu interior, numa ascensão e descida vertiginosas, como se de uma criança dentro de um elevador se tratasse e estivesse a carregar em todos os botões para cima e para baixo...

Acordo. O caralho é que acordo. Não dormi. 

Tanta coisa a acontecer e tantas dúvidas existenciais adornadas pelo intenso sabor do frango apurado indiano numa chapata tostada que nem era italiana nem um pão de mafra mas que ficava a meio caminho de ambos, e dá-se-me outra vez aquele medo estúpido de falecer.

Ai que não sinto o corpo. Ai que tá dormente, ai que está o coração a acelerar, ai que se me está a dar uma emoção de terror, ai que o gajo já dorme e eu tou praqui a virar para cima e para baixo que nem um frango decentemente assado na grelha de uma qualquer churrasqueira portuguesa (nada contra os indianos, mas ainda estou para perceber que carne de frango foi aquela do meu kebab, fosse gato condimentado, não teria dado conta, não fosse a noite revolta no vale dos lençóis).

Giro giro é que esta merda de escrever com música cubana traz logo uma leveza ao que vos queria dizer. Logo eu que tenho andado com uma sensação de que não faço ideia do que ando praqui a fazer, ao ponto de questionar as minhas capacidades apesar de estar a gritar internamente de forma meiga o quão espetacular tenho sido para aguentar tanta coisa ao mesmo tempo (relembro? queda? joelhos fodidos? mão esfolada? siso com o caralho? discussões de 4 horas na minha relação? ajuste aqui? ajuste ali? mudar de casa outra vez? gerir a sensação de estar a enlouquecer? não arranjar trabalho há já quase 1 ano e dois meses? enfim... tudo isso que só de escrever já me acidifica o kebab que já caguei... (perdoem-me a visão do inferno))

No meio de tudo isto ando a tentar colar os meus bocadinhos e a fazer listas de coisas que gosto que normalmente são encabeçadas por músicas da disney, seguindo-se-lhes o pão, dançar, cheirinho a café, escrever, cozinhar, desenhar, criar, poesia, caminhadas (que depois da minha primeira RM de amanhã voltarão à carga), apanhar sol, ler livros, comprar livros, organizar coisas, comer comidas novas, pintar, maquilhar-me, vestir-me com collants aos corações para partir corações aos ortopedistas, bolinhos de canela e erva doce com todas as formas e feitios... enfim, uma lista infindável de coisas que fazem o meu EU EU e que me fazem lembrar que não, não estou assim tão louca, tão perdida, tão desorientada...

Ainda respiro e como e "cumo" tal (só para os mais atentos ...) continuo VIVA e com capacidades de desfrutar desta vida lidando com imponente categoria, ou não, com este medo que assola qualquer ser vivo com capacidade de consciência - o de que iremos falecer.

Achei que uma queca ia resolver isto. Dantes resolvia. Mas se calhar não resolveu porque a dança sensual que fiz ao meu respetivo, após trancá-lo na varanda, resultou numa discussão porque ele não percebeu a minha intenção e achava que o estava a punir por me ter dito que eu tinha a mania de nunca tirar as meias de dentro das calças...

Como veem, só isto, já faz a piada do texto.

(qualquer humor ácido que possam identificar é apenas causado pelo suco gástrico em resultado de uma má digestão de um kebab comprado entre a almirante de reis e o martim moniz).

Já agora, fica a nota que de agora em diante me vou permitir a escrever os textos aqui no humorário de acordo com 4 tipos de humor. A saber:

  • Humor Rottweiller - Caracterizado pela raivazinha que acidifica a alma mas ainda assim divertido

 

  • Humor Xitex - Caracterizado pela alegria genuína de quem sente que vai conquistar o mundo. Pela excitação pode conter gralhas ou erros ortográficos

 

  • Humor Depré - Caracterizado pela nuvem cinzenta que só chove em cima de mim enquanto faz sol em toda a área que não sou eu, mas que ainda assim faz rir pela deprimência. Pode ser acompanhado de períodos de choro e riso em simultâneo quer de quem escreve quer de quem lê.

 

  • Humor Zen - Caracterizado por uma energia de puro relaxamento causado por inalar a aromaterapia natural do festival boom. A sensação é a de um budista a cantar mantras no meio de um campo minado e em guerra.

 

Posto isto, claramente hoje estamos em Humor Rotweiller. Dentinhos de fora, espumar da boca e bola para a frente que amanhã vou fazer a minha primeira Ressonância Magnética. Aqui vos prometo que se correr bem escreverei uma história infantil de seu nome: "A minha primeira Ressonância Magnética" com uma moral e tudo.

Até amanhaaaaaaaaaaaa meus senoressss

"me gusta mulata....se come tambíen... iri riririri bom...." (é o que tá a tocar enquanto termino post...)

Já estou a sentir a moca do Sparrow...

[ia pôr aqui um .gif mas o sapo mandou-me foder.

Eu ia, mas já o fiz ontem, e segundo parece é muito "agressivo" comer duas vezes seguidas banana...]

Auf auf...

(é o canito a ladrar...)

Fui.

22
Abr21

Tive um date de tinder... com um médico.

Humorosa

Bons dias alegrias (que é mais boa tarde mas não importa... e é aqui que começo a pensar que se calhar não estou tão desempregada assim, porque tenho começado os meus dias bem mais cedo do que o habitual (em média às 7h) e o cabrão do tempo escorrega-se-me por entre os dedos!)

Ora pois que a gaja andava manca desde que tralhou epicamente de trotinete devido à sua incapacidade de utilizar o córtex pré-frontal e aceder com clareza ao local onde estavam os travões, e decidiu marcar consulta num ortopedista.

Ora pois que já vos havia contado o quão orgulhosa estava da minha segunda escolha, isto porque o que meu primeiro impulso (tão característico da minha pessoa) foi escolher o primeiro médico jeitoso de fronha que apareceu na lista do hospital, isto porque, já que quando vou a hospitais os meus bpm estão sempre acelerados, poderia dizer a mim mesma que era porque o doutor era uma bomba! (E meus senhores, aquele mocinho tinha muito bom ar... para médico então, estava muito bem conservadinho. A questão aqui, foi quando respirei fundo e de repente à minha frente pude ler (para evitar o erro de não ver os travões como aconteceu na trotinete) "Especialista em próteses de anca e outras coisas que tal..." Ora muito orgulhosa da minha capacidade de análise racional fui correr à procura de um especialista de joelho e até de medicina desportiva... mesmo que fosse feio.

Bom, não era um terror, só não apelava à vista...

E a questão estaria toda bem se ontem não tivesse sentido que tive um encontro às cegas, daqueles maus do tinder em que pedes às tuas amigas para te ligarem para dizer que tens que abandonar porque o cão delas foi envenenado com chocolate e elas precisam de apoio...

Só que eu não tive nenhuma amiga que me ligasse. Tive que durar aqueles 10 minutos, pagar 32,50€, saber que vou fazer uma ressonância magnética que ainda por cima a gaja me disse que tinha que ir em jejum porque podiam ter necessidade de me ESPATAR (sim eu sei que se escreve espetar mas é para dar mais ênfase à coisa) uma merda pela veia para me fazer brilhar PU DENTRO... pagar por isso e quem sabe descobrir que talvez tivesse que ser operada ao joelho caso tudo corresse mal... Podem imaginar que os meus acarinhados pensamentos negativos começaram a fazer uma rave tipo BOOM festival mas com muita droga à mistura. 

Mas voltemos atrás, imaginem então euzinha, de vestido preto e collant aos corações a entrar pelo gabinete e a deitar o olho ao olho do médico.

"Boa tarde Dr."

"Boa tarde, então o que veio cá fazer?"

(na minha cabeça a resposta foi: "Vim jogar solitário ..." ri-me para dentro e saí-me com o sorriso mais bonito que tenho com:)

"Bom Dr., caí de trotinete elétrica, caí de joelhos, e mão, e agora tenho dores no joelho direito, aqui" (e começo a levantar-me para poder tirar os collants e ele ver e ele diz:

"Não precisa tirar. Aponte."

(O meu ar de pókemon confuso foi claríssimo...)

"Err... mas assim como é que vê?"

"Descreva a dor."

(Na minha cabeça: Olhaaaaaaaaaaaaa meu caralho, dói-me de fora pra dentro e sempre que levanto a coxa foda-se. Queres o nível? DOI PRA CARALHO!!!! Agora já não doí muito que andei quietinha e a fazer gelo que eu sou uma menina exemplar...)

"Bom, dói nesta face lateral e naquilo que me parece ser a inserção das estruturas do joelho. Mas não seria melhor observar?"

(Não vi mas aposto pela postura corporal que ele me fez um mega rolling eyes...)

"Bom, vá lá pra marquesa."

(Eu super cheia de vontade palpitante fui, deitei-me e ele começa a mexer e a perguntar "Dói?" "Dói?" "Dói?" e eu a querer interromper para lhe explicar que fazia yoga, corria, caminhava longos percursos e ele ainda me diz que "O yoga não faz carga nos joelhos...))

Levanto-me da marquesa, visto de novo os meus collants aos corações pretos e ainda sem olhar para mim diz-me "Pronto agora vai lá fora marcar a ressonância e depois volta cá..."

E aí inspirei fundo, fui buscar às minhas entranhas de artista teatral o meu melhor "SIM SIM" e bazei dali a achar que se eu tivesse pedido um pacote de batatas fritas num macdonalds em macdrive teria sido mais calorosamente tratada.

12
Abr21

Escrevo-vos ao som de sambinha brasileiro...

Humorosa

E podia estar a sambar! Não fosse o raio do meu joelho direito ter começado a queixar-se há uns dias e eu não sei que lhe fazer.

O mais bonito é que hoje a caminhar olhava para cima e dizia em sussurro: "Universo, já chega tá? Primeiro uma queda de joelhos e mão no asfalto qual super-heroína a aprender a voar, depois um dente do siso que ainda deixa aqui uma cova com tamanho para armazenar nozes para uma semana tipo esquilo (ele é ver a aveia, os cuscus, o pão e todo um resto de bolo alimentar a encontrar abrigo naquela grutazinha amorosa que outrora foi a casa do meu ex-siso), e agora não posso mostrar os meus dotes futebolísticos de Ronaldo porque de cada vez que levanto a coxa há toda uma dor fina que se entranha pelo meu sangue, ossos e pedacinhos..."

É óbvio que depois desse momento de autocomiseração reúno novamente as forças do Humor e começo a pensar em todas as coisas que podem acontecer de pior, após ter pesquisado um médico de forma perfeitamente aleatória na categoria de ortopedia. É o seguinte meus senhores, aqui a gaja não curte batas brancas nem fardas, curiosamente ou não (obviamente que "ou não") tem mãe enfermeira e pai polícia. No mínimo cómico não é?

Após uma revisão de todas as piadas que poderei ter que fazer caso tenha que andar de muletas, ou toda entrapada com joelheiras elásticas, ou até ter que ficar parada sem fazer o meu yoga (=morte lenta e dolorosa, por favor universo não me faças esta!!!), considerei que estou a ficar uma mulher crescida e fiz tudo como devia de ser.

E aqui em surdina, que ninguém me ouve, fui tão mulher que o primeiro médico que escolhi era um todo grosso, novinho, jeitoso, com ar de engatatão, e depois respirei fundo, li melhor as suas especialidades (num português todo bonito dizia qualquer coisa que significava o mesmo que "troco ancas normais por ancas postiças e curto bué fazer artigos científicos e dizer que os fiz enumerando-os exaustivamente na minha descrição do hospital em que trabalho"), e decidi procurar um com ar mais "normal", e que dizia na sua descrição algo que talvez fosse mais adequado à minha situação "sei de merdas que ajudam pessoas que se esbardalham e que têm a mania de fazer desporto intensivo sem consultar primeiro um médico"

Então, inspirando profundamente, retenho o ar nos pulmões, cancelo a consulta com o médico bonzão e decido ir àquele, que aparentemente me iria tratar da saúde... de outra maneira 

E para já é isto meus senhores.

Universo, piedade desta moça sim? Que isto não seja merda nenhuma!

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