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Humorário

(um diário de rir para não chorar)

(um diário de rir para não chorar)

Humorário

28
Abr21

Era para ser uma história infantil (só que não), mas afinal sim.

Humorosa

Tinha-vos prometido uma história infantil caso a Ressonância Magnética corresse bem com o título "A minha primeira ressonância Magnética".

À primeira vista pensei escusar-me de o fazer porque o meu primeiro impacto, após o processo de quase 1 hora, imóvel no tunelzinho de cabeça e pés de fora a congelar a alma e os dedinhos todos, foi de que correu mal como a piça.

Toda uma pressão para estar quieta, um pé dormente que começou a subir à perna, 3 técnicos a rodarem entre si, "vai desistir agora?", "está a ficar ilegível", e um "o pior é para si..." depois, e olhando obviamente para a situação com alguma distância (de apenas 1 dia), reparo (com a ajuda de quem sabe ouvir, entender e acomodar a minha existência) que não foi assim tão mau e que não fugi, encarei o melhor que pude e fui grande em coragem, num exame que por si só já é difícil.

Assim sendo, retive a minha aprendizagem e consegui compreender que há uma dificuldade generalizada de acomodar a minha diferença, fazendo-me sentir anormal, estranha, mariquinhas, piegas, sensível e com a mania que preciso de psicoterapia para a vida toda.

Como se tudo o que se sente não fizesse sentido refletir para aprender mais e melhor sobre o mundo, para nos vermos refletidos nele, para olharmos para o que somos e podemos ser.

De repente já não estou na ressonância magnética, ou até poderei estar, mas desta vez os feixes que são disparados na minha direção, são mais uma vez feixes de incompreensão e invalidação do que sou, da forma como vejo a vida, e são levados como "as coisas são só o que são. Nem toda a gente anda para aí a fazer psicoterapia e a refletir sobre tudo o que lhe acontece..." e de repente passo por vários níveis de emoção:

1. Dor no peito por sentir aquelas palavras como uma flecha que invalidam na totalidade a minha forma de viver o mundo;

2. Tristeza por estar a ver que a cada dia que passa o fosso se afunda ao invés de se aproximar

3. Raiva que utilizo para bradar aos céus "NÃO PRECISO DE PENSAR COMO TU. E SE QUERES CONTINUAR NESSA VIDA SEM REFLEXÃO FORÇA... SÓ NÃO ME FAÇAS SENTIR QUE EU NÃO PRECISO DELA. ELA É VÁLIDA PARA MIM, EU SOU ASSIM, SE NÃO TE SENTES BEM COM ISSO É PROBLEMA TEU. LEVA AS TUAS CONVIÇÕES PARA ONDE QUISERES MAS DEPOIS NÃO ME VENHAS PEDIR AJUDA QUANDO O TEU CORPO TE FAZ AFUNDAR NUMA INÉRCIA QUE NÃO SABES DE ONDE VEM. PROTEJE-TE DE TUDO, DE TODOS OS PROCESSOS REFLEXIVOS PARA NÃO IR DOENDO E DEPOIS ESPANTA-TE QUE O CORPO TE GRITE!!!!!!!!!! E ISTO NÃO É UMA QUESTÃO DE VISÃO, OU DE MINDSET, É UMA QUESTÃO CIENTÍFICA, COMPROVADA E MESMO QUE NÃO FOSSE, ISTO TUDO ESTAVA DEMASIADO BEM MONTADO PARA SER APENAS ALEATÓRIO. DIZ COMIGO: TODA A CAUSA TEM UMA CONSEQUÊNCIA E TODA A CONSEQUÊNCIA TEM UMA CAUSA. (Tou tão fodida a escrever isto que quase afundo as teclas do pc para dentro mas adiante...)

E neste momento penso que ultimamente tenho feito um esforço enorme, hercúleo, para criar momentos criativos, diferentes, expansivos, numa tentativa de te mostrar o meu mundo e sentir-me bem neste espaço a dois, e de repente vejo (COM MUITA PENA) que a motivação está pelas ruas da amargura...

Não pude deixar de pensar no que sinto, e na forma como já me estou a começar a borrifar para as partilhas que faço contigo... lembro-me bem de num passado distante me dizeres que enquanto estavas a trabalhar não gostavas de ser interrompido pelo meu ressaltar palpitante de alegria quando recebia uma encomenda e ta queria mostrar no momento, lembro-me bem de como as minhas tentativas de sensualizar, sair, fazer diferente, eram completamente bloqueadas, e de como tentei acomodar isso tudo, mas agora onde está essa vontade? Essa energia?

E de repente no meu fundo, no fundo da minha pior pessoa, penso e dou graças a Deus pela pandemia e necessidade de afastamento social... de estarmos confinados à mesma pessoa, e não a novas pessoas, Novinhas em folha para me iludirem e reluzirem como cristais acabadinhos de limpar com ajax... (e olha que eu sei que nem tudo o que reluz é ouro, mas só para ter o prazer de me voltar a sentir sensual, querida, desejada quase que valia a pena cagar no Covid... quase)

Há tanto dentro de mim que eu quero abraçar. Que eu quero amar. Mas todos esses pequenos pedacinhos que te entrego são condicionados ao momento, ou ao não momento, ao respeito individual, ao espaço que não se trespassa, ao espaço interno que já demorou muito a chegar onde está e que agora está guardado com bulldozers e seguranças E EU ESTOU A VER MUITO BEM. Porque quem vê de fora vê tão melhor do que quem está dentro a dormir em serviço (porque não refletes...) sabes? e repara... caguei, vou parar de vender a minha ideia para respeitar a tua... é legítimo sermos diferentes sim senhor...

mas se isso terminar o que viemos fazer um com o outro... So be it.

Cansei de ser sexy.

Cansei de querer que o meu lado da barricada ganhe.

Vou só ali aprender a ser eu, a gostar de ser eu, da "diferença positiva e única que causas no mundo" e se por acaso ainda aí estiveres quando eu voltar logo vemos...

Senão sabes?

Como aprendi hoje...

É melhor aprender "a errar depressa".

É mais útil, 

Mais rápido,

Mais eficiente como tu tanto gostas. Para não perder tempo. Bem feitinho até nos colocávamos numa app e ela fazia a validação do match. Oh espera... Nós conhecemo-nos numa app... (sentes o ácido?)

Por outro lado, como dizia o meu amigo quase astronauta, "Como podes saber se gostas de donuts se só pensares neles? Precisas experimentar e sentir para saber se gostas ou não."

E é isso que vou fazer...

Em conjunto com a recomendação da minha querida Diana:

"Dê-se tempo para perceber..." 

 

PS: Auto aviso à navegação: Não te esqueças que a tua abordagem funciona para ti, serve-te, e por isso não tens que abdicar dela!!! Não deixes que os outros continuem a invalidar a tua realidade, a dizer-te que não podes estar sempre em processos reflexivos. Podes fazê-lo porque tu já sabes quando parar, quando vale a pena, quando não vale, tu sabes. E mais, faz parte da tua necessidade de estímulo intelectual, de curiosidade, de compreensão e de atribuição de significado ao mundo. É a tua experiência. É especial e única. Se não compreendem está tudo bem. Quem perde é quem não tenta penetrar no olhar do outro com curiosidade. Eu faço isso. Eu considero sempre isso. Quem não faz é quem perde. 

26
Abr21

Escrevo a minha dor ao som de música cubana para ver se ela se transforma em rum

Humorosa

Acordo de uma noite em que o kebab do almoço de ontem andou a dançar danças de salão com o meu interior, numa ascensão e descida vertiginosas, como se de uma criança dentro de um elevador se tratasse e estivesse a carregar em todos os botões para cima e para baixo...

Acordo. O caralho é que acordo. Não dormi. 

Tanta coisa a acontecer e tantas dúvidas existenciais adornadas pelo intenso sabor do frango apurado indiano numa chapata tostada que nem era italiana nem um pão de mafra mas que ficava a meio caminho de ambos, e dá-se-me outra vez aquele medo estúpido de falecer.

Ai que não sinto o corpo. Ai que tá dormente, ai que está o coração a acelerar, ai que se me está a dar uma emoção de terror, ai que o gajo já dorme e eu tou praqui a virar para cima e para baixo que nem um frango decentemente assado na grelha de uma qualquer churrasqueira portuguesa (nada contra os indianos, mas ainda estou para perceber que carne de frango foi aquela do meu kebab, fosse gato condimentado, não teria dado conta, não fosse a noite revolta no vale dos lençóis).

Giro giro é que esta merda de escrever com música cubana traz logo uma leveza ao que vos queria dizer. Logo eu que tenho andado com uma sensação de que não faço ideia do que ando praqui a fazer, ao ponto de questionar as minhas capacidades apesar de estar a gritar internamente de forma meiga o quão espetacular tenho sido para aguentar tanta coisa ao mesmo tempo (relembro? queda? joelhos fodidos? mão esfolada? siso com o caralho? discussões de 4 horas na minha relação? ajuste aqui? ajuste ali? mudar de casa outra vez? gerir a sensação de estar a enlouquecer? não arranjar trabalho há já quase 1 ano e dois meses? enfim... tudo isso que só de escrever já me acidifica o kebab que já caguei... (perdoem-me a visão do inferno))

No meio de tudo isto ando a tentar colar os meus bocadinhos e a fazer listas de coisas que gosto que normalmente são encabeçadas por músicas da disney, seguindo-se-lhes o pão, dançar, cheirinho a café, escrever, cozinhar, desenhar, criar, poesia, caminhadas (que depois da minha primeira RM de amanhã voltarão à carga), apanhar sol, ler livros, comprar livros, organizar coisas, comer comidas novas, pintar, maquilhar-me, vestir-me com collants aos corações para partir corações aos ortopedistas, bolinhos de canela e erva doce com todas as formas e feitios... enfim, uma lista infindável de coisas que fazem o meu EU EU e que me fazem lembrar que não, não estou assim tão louca, tão perdida, tão desorientada...

Ainda respiro e como e "cumo" tal (só para os mais atentos ...) continuo VIVA e com capacidades de desfrutar desta vida lidando com imponente categoria, ou não, com este medo que assola qualquer ser vivo com capacidade de consciência - o de que iremos falecer.

Achei que uma queca ia resolver isto. Dantes resolvia. Mas se calhar não resolveu porque a dança sensual que fiz ao meu respetivo, após trancá-lo na varanda, resultou numa discussão porque ele não percebeu a minha intenção e achava que o estava a punir por me ter dito que eu tinha a mania de nunca tirar as meias de dentro das calças...

Como veem, só isto, já faz a piada do texto.

(qualquer humor ácido que possam identificar é apenas causado pelo suco gástrico em resultado de uma má digestão de um kebab comprado entre a almirante de reis e o martim moniz).

Já agora, fica a nota que de agora em diante me vou permitir a escrever os textos aqui no humorário de acordo com 4 tipos de humor. A saber:

  • Humor Rottweiller - Caracterizado pela raivazinha que acidifica a alma mas ainda assim divertido

 

  • Humor Xitex - Caracterizado pela alegria genuína de quem sente que vai conquistar o mundo. Pela excitação pode conter gralhas ou erros ortográficos

 

  • Humor Depré - Caracterizado pela nuvem cinzenta que só chove em cima de mim enquanto faz sol em toda a área que não sou eu, mas que ainda assim faz rir pela deprimência. Pode ser acompanhado de períodos de choro e riso em simultâneo quer de quem escreve quer de quem lê.

 

  • Humor Zen - Caracterizado por uma energia de puro relaxamento causado por inalar a aromaterapia natural do festival boom. A sensação é a de um budista a cantar mantras no meio de um campo minado e em guerra.

 

Posto isto, claramente hoje estamos em Humor Rotweiller. Dentinhos de fora, espumar da boca e bola para a frente que amanhã vou fazer a minha primeira Ressonância Magnética. Aqui vos prometo que se correr bem escreverei uma história infantil de seu nome: "A minha primeira Ressonância Magnética" com uma moral e tudo.

Até amanhaaaaaaaaaaaa meus senoressss

"me gusta mulata....se come tambíen... iri riririri bom...." (é o que tá a tocar enquanto termino post...)

Já estou a sentir a moca do Sparrow...

[ia pôr aqui um .gif mas o sapo mandou-me foder.

Eu ia, mas já o fiz ontem, e segundo parece é muito "agressivo" comer duas vezes seguidas banana...]

Auf auf...

(é o canito a ladrar...)

Fui.

30
Dez20

Fica a faltar 1 dia

Humorosa

...e bazo daqui!

Mas não é que o universo tem uma forma muito linda de me presentar e fazer pensar?

A 1 dia do fim, e de eu já me imaginar a reformular a minha casa por inteiro, dando uma de dona de casa desesperada, ou querida mudei a casa, liga-me um antigo boss, talvez o único HUMANO a perguntar se enquanto estava desempregada não lhe quereria dar uma mãozinha em documentos que eu tinha JURADO A DEUS nunca mais continuar a fazer.

"Ah mas é que eu preciso de alguém que escreva bem..."

E o meu ego a saltitar.

Mas o meu lado Hippie logo:

"GAJAAAAAAAAAAAAAA NÃO CEDAS AO DEMÓNIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! O DINHEIRO NÃO É TUDO! DESCANSAAAAAAAAAAAAAAA NÃO FAÇAS NADA"

E vem logo o ego:

"Será que aguentas sem nada para fazer sua cafagestazona!!?!?!? Já viste que se essa energia mental não é direcionada começa a fazer planos para descobrir a filosofia do universo....."

E depois vem outra personagem não sei de onde e manda os dois calarem-se.

Shiu.

Decido na primeira semana de janeiro.

Foda-se.

Vi ontem o SOUL. 

Repitam comigo "NÃO PRECISAMOS DE TER UM PROPÓSITO migos do coaching transbitrepessoal!"

EU NÃO PRECISO DE SABER SEMPRE E PARA SEMPRE O QUE QUERO FAZER.

EU GOSTO DE FAZER MUITAS COISAS PORRA!

E é isto.

Beijo da revolta.

Se me decidir eu aviso-vos.

Pirei de vez?

Talvez.

MAS AMANHÃ É FIM DO ANOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Em vez de ficarem com uma reflexão minha, fiquem com uma refração, para honrar a engenheira que fui noutra vida (algures entre os 19 e os 24).

21
Dez20

O que faz tudo valer a pena ...

Humorosa

são os afetos, os sentimentos, e aquela sensação de união única que congela um microssegundo numa eternidade.

É por isso que vale a pena. 

Aquele dia de nevoeiro místico,

Aquele sol que atravessa a folhagem,

Aquele croissant quentinho acabado de sair do forno, 

Aquele banho reconfortante,

Aquele carinho e abraço,

Aquele chá quente numa noite fria,

Aquele livro que nos aconchega,

Aquela cama a cheirar a lavado,

Aquele quarto de hotel,

Ouvir histórias de pessoas reais,

Chocolate preto derretido,

Café na esplanada,

Um passeio sem destino,

Uma corrida em que se quebra um record,

Tudo isto me enche de plenos bem-estares, sucessivos, entremeados por pequenos mau estares e angústias existenciais.

Ah e claro, não podia deixar de ser,

Uma valente gargalhada!

E unicórnios.

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