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Humorário

(um diário de rir para não chorar)

(um diário de rir para não chorar)

Humorário

30
Mar21

Já está caralho! Menos um dente! (e uma reflexão sobre como podemos ser tão errados nos nossos pensamentos)

Humorosa

BOM DIA ALEGRIAS!

Começo este post pseudo-reflexivo-e-ainda-assim-cómico-porque-este-é-o-mote-deste-casebre por dizer que tenho menos um dente. O dente do siso foi removido com sucesso e honestamente as 4 horas desta noite que passei em pura tensão, a visualizar num quadro colaborativo que ao invés de ser digital era mental, foram totalmente desnecessárias. Ou melhor, como verbalizei no fim da consulta (que demorou praí 30 min) "Tanta merda para isto..." fazendo rir o trio que já me atura os tremeliques na cadeira de dentista há já largos anos.

Mas serve este post não só para me rir do rídiculo dos meus pensamentos medricas, como também para me/nos lembrar de não lhes ligar grandemente em momentos de aflição, senão vejamos todos os pensamentos que tive e que foram totalmente gorados pela realidade, ou para dar uma tónica mindful, pelo "Aqui e agora", que é na verdade, o Presente (e que mais na verdade, é o único tempo existente ... caso não consideremos teorias de cordas e merdas quânticas tá?):

1. Vou apagar-me na cadeira do dentista porque vou ficar mega nervosa - NÃO ACONTECEU NUNCA E NÃO FOI DESTA VEZ por isso CAGA NISSO.

2. Não vou conseguir controlar os nervos e vou parecer um vibrador como de costume na cadeira - Vibrei tipo quase nada, por isso, CAGA NISSO.

3. Vou chegar lá e já sei que com os nervos vou "cagar no assunto" assim que me sente no sofá - NOP. Nem usei o wc desta vez! CAGA NISSO.

4. Vou sentir a gaja a alavancar-me o dente - Não senti um caralho. CAGA NISSO.

5. Vou sentir a anestesia e vai doer-me. Não vou relaxar e a anestesia não entra - Senti só um bocadinho de nada, tipo um mosquito durante 1 seg, relaxei tanto que de repente não sentia nem a língua. Por isso... CAGA NISSO.

6. Não gosto de tirar sangue, por isso não gosto de agulhas então vou panicar quando olhar para a agulha da anestesia. (Como podem verificar este argumento é puramente lógico ... NOT) - Não só já tirei sangue várias vezes e não caí pro lado, como também vi a agulha, ela fez o que tinha a fazer, e eu ali, uma vencedora. Por isso... CAGA NISSO.

7. Depois de me tirar o dente vai-me dar pontos. - Guess what? Ainda estou a morder uma compressinha e a babá-la toda mas pontos nem vê-los. CAGAAAAA NISSO.

8. Ah e tal e vou tomar antibiótico e vou ter que ter atenção para lhe dizer que da última vez fiz alergia a um que ela me deu e lá lá lá porque vou parecer um panda inchado nos olhos e depois pode interagir com a pílula e tenho que ver quando é que pára de fazer efeito. - Miga, coma uns geladinhos, cenas moles e frias e tá boa pra seguir. CAGAAAAAAA NISSSO.

9. Ah e tal vou ter que desmarcar a minha aula de yoga porque não vou poder dar aula nestas condições. - "Exercício físico leve pode fazer. Só não se ponha a levantar pesos..." Yap, CAGA NISSO

E ia escrever algo no 10 mas parece que o meu cérebro vazou por completo e apesar de ter tido certamente mais pensamentos à velocidade da luz que nem me apercebi, estes foram realmente os mais relevantes e olhem para eles... tão queridos e ingénuos, a tentarem criar uma imagem de futuro com elementos do passado, IGNORANDO TOTALMENTE QUE A NOVIDADE DO PRESENTE SE INFILTRA NO MOMENTO E TRAZ-NOS SEMPRE UMA NOVA ABORDAGEM QUE NÃO ESPERÁVAMOS (ps. Não estou a ser rude. Só quis escrever em letras garrafais para ver se de uma vez por todas eu faço as pazes com o meu cérebro e com a sua velocidade furiosa de criar-pensar-inventar-prever e perceba com CARINHO (outro conceito importante de reter) que ele vai sempre fazer isto, e vai haver vezes que vai ser útil, outras que nem por isso. E mais, que eu estou a TREINAR para que ele mostre a si próprio que em momentos de pensamento corredor e com medo, por FACTOS do Passado - os inegáveis sucessos da Humorosa - no momento não há razão para dar valor à voz Drama Queen, mas sim à voz calma que repete incessantemente - que a Humorosa precisa de repetir-repetir-até-deixar-entrar- "O dente já saiu. O dente já saiu. O dente já saiu. Já não vale a pena ficares nervosa." E que puta que pariu, JÁ CONSEGUE ACALMAR a roda viva que ela tem dentro.

Posto isto, e desculpem a todos a punhetice, mas vou comemorar este sucesso congratulando-me, e passando a referir-me a mim, como Dona Humorosa, a Rainha das Conquistas.

Isso e a comer gelado.

PORQUE POSSO!

25
Mar21

Reflexões aos engasgões

Humorosa

Ora Buenos dias, Bonsssssssss diaaaaaaaaaaas Matosinhos (vide referência abaixo) 

Estou de volta para mais uma reflexão sobre esta vida de marinheira que quer dar cabo de mim, pa pa ra para para para para pariii, MAS, que eu não deixo! Que eu cá sou uma strong independent woman (às vezes pequenina, mas strong.)

Pois que o que me traz aqui hoje é uma reflexão que me tem saído aos engasgões e que a cada dia que passa parece ficar mais sólida e solidificada assim como um cubo de gelo (com o problema claro que os cubos de gelo derretem em dias como os dias primaveris que têm sido, pelo que poderão sentir a convicção das minhas reflexões. Se calhar são mais como diz o Bruce Lee: "Be water my friend". Que portanto em termos de estado de matéria é um nível abaixo, líquido, Mas adiante...)

Mas e a reflexão perguntam vocês? Que a única merda que fiz até agora foi uma introdução pomposa que parece não servir para merda nenhuma...

A reflexão é simples: Não consigo saber se as coisas que eu faço, que eu decido, e que implemento deveriam ser como acabei por decidir. 

Imaginem... Começo a decidir que tenho que resolver um assunto porque claramente ele me incomoda, não me deixa dormir, sinto-me estranha, so on so on so on... começo a puxar pelo matutano e ele dá-me múltiplas opções, múltiplas oportunidades, e múltiplas respostas e depois, como se, se risse para mim, diz-me aquilo que qualquer balança de signo (e notem que eu também não entendo puto de estrelas) odeia ouvir: Escolhe.

Posto isto, e porque me sinto por dentro a ser comida por um conjunto de térmitas a construir o seu império debaixo da terra, sou empurrada pelas vísceras a tomar uma decisão para sanar o desconforto que sinto por dentro e que honestamente quero ver resolvido (sim porque quando risco to do's de listas tenho um orgasmo funcional... que é algo que daria para outra reflexão e que quiçá falarei aqui algures no tempo), e depois, começa a passar-se o tempo, começo a amadurecer a reflexão, como uma banana verde que compramos e no dia seguinte já começa a ficar amarelinha, (se bem que agora que penso nisto é mais tipo um abacate maduro que compramos com esperança de o comer no dia porque já é "maturado" e no dia seguinte puta que pariu já está podre... e todos sabemos que os abacates são caros para xuxu. (Será o xuxu caro? Adiante)), e eu sinto que se calhar fui demasiado impulsiva na decisão que tomei, que se calhar devia ter feito a coisa de outro modo, e que se calhar havia uma solução melhor, mesmo que isso tivesse consequências num futuro distante. Sim, porque a única razão pela qual eu tomo decisões quando estou a ser assaltada por elas é porque quero, qual polícia, dar uma de mázona e dizer-lhes que não há cá motins na prisão senão ficam sem ver a bola durante um mês.

E é aqui que penso que todos os cursos de Inteligência Emocional, Saúde Mental, Mindfulness, Yoga e Reikis e o caralho me falham nas horas. Sou espetacular a aplicar e a explicar conceitos aos outros, a ajudar os outros nas suas "hours of need" e nas minhas, falho como as notas de 500€.

E isto mói a humorosa por dentro meus senhores. Por mais textinhos cómicos, há sempre um raio de um ratico numa rodinha de hamster que quando pára de criar energia cinética decide continuar o seu percurso pelo meu interior roendo aqui, roendo ali, roendo...uma laranja na falésia

E de repente esboço um sorriso como se me abraçasse por dentro e penso que o meu cérebro é bem fodido mas não deixa de ser engraçado.

No outro dia pensava que tenho uma relação de amor-ódio com ele. Se ele é um génio para me lembrar de detalhes que nem lembra o Menino Jesus, por outro lado tem uma capacidade de fazer histórias dramáticas ao estilo das novelas da TVI mas com mais sangue, e quiçá narradas pela Cristina Ferreira (nada contra a senhora mas é o high pitch dela que ouço dentro da cabeça quando estou a ir às compras e de repente o meu cérebro principia num enredo dantesco de "E se te dá aqui um ataque de pânico à frente desta gente toda e ninguém te ajuda como quando te esbardalhaste de trotinete uma míriade de utentes da via pública e até ciclovia passou, quase que acenou, e achou perfeitamente normal estares a descansar deitada de joelhos no chão no meio da ciclovia? Hã???? HÃ???? - como podem ver, pode ser tenebroso.)

Mas não desviando do tema principal - ando a processar há uns dias uma merda de uma decisão que tomei e com a qual ainda não estou confortável. Como se a decisão que tivesse tomado fosse um bypass a algo que eu quero controlar (porque eu ainda sou cómica e acredito que controlo alguma coisa), e que não me faz ainda sentir plena. Mas depois penso que há poucas decisões que tomo nas circunstâncias de angústia que me fazem sentir plena e fico na dúvida com o resultado! Tal como quando fui despedida e me queriam pagar a indeminização só um mês depois e eu, por estar exausta da sensação de dor e farta daquela gente toda acordei várias noites a querer assinar a proposta assim para não me chatear mais e acabar de vez com aquele sofrimento, também nesta reflexão que tem sido feita aos engasgões, num pára-arranca desenfreado, estou em banho-maria, que é como quem diz que a reflexão irá derreter chegando ao seu estado final, mas lentamente, em lume brando... E eu não sou espetacular a lidar com brandices. Sou o oposto. Aquela que põe o lume alto porque quer muito comer panquecas e está cheia de desejos e depois reclama porque caralho elas ficaram queimadas e não as pode comer. Enfim... Desafios de uma Humorosa.

Posto isto, e depois deste texto também servir como parte de mais um engasgão da reflexão principal, penso que, tal como com a proposta do meu anterior trabalho, terei que esperar um pouco mais de tempo, para encontrar uma solução que seja melhor do que a minha primeira iteração que continua aqui a pôr o hamster a roer-me por dentro, ainda que agora, para já, no momento, me esteja apenas a roer os calcanhares.

E neste momento olho para dentro, de forma solene, e lembro-me da quantidade de iterações que fiz quando quis rebater a proposta de ida para o desemprego, cheguei a escrever 6/7 folhas com propostas diferentes, ideias diferentes, valores diferentes, coisas diferentes que iria dizer, até que, algures no tempo, a minha mãe, com uma suavidade e certeza de quem já anda nesta montanha russa há bem mais tempo que eu, me deu a resposta que eu nunca tinha pensado até aquele momento e que foi a qual com que senti mais conforto e decidi avançar. Dividi o valor da compensação em dois, para ser mais justo para ambas as partes. E de repente, cai-me a ficha. A minha primeira decisão só é justa para uma delas. Se calhar... vou ter mesmo que a repensar de novo.

 

22
Mar21

Não vim com manual de instruções

Humorosa

Esta é a carta que gostaria de endereçar a quem me enviou a este Mundo-Escola para aprender o que é ser pessoa.

Perdoem-me a lírica bocágica e a sua mistura com a verborreia camoniana, mas não sei ser de outro modo e creio que estou cada vez mais a aprender a gostar disso. Aqui vai.

"Caro Deus, Universo, Cena celestial, ponto denso gasoso no céu, e seus respetivos anjos, arcanjos e outros seres de luz,

venho por este meio junto de V. Exmas. apresentar o meu desagrado e pequenina irritaçãozinha, pelo facto de não me terem mandado à Terra com manual de instruções. Não percebo um caralho disto. A cada dia, esperava eu, ficando mais velha, pensava que iria ficar mais fácil, mas puta que pariu, não fica! Se passo uma semana com noites divinalmente bem dormidas, outras há em que mais valia nem vestir o pijama. Se há dias em que sinto que sou a rainha do mundo, outros há em que me sinto mais pequena que o ácaro que me faz espirrar (e que nunca vejo, cabrão.) Depois há dias em que acho que estou finalmente a perceber como funciona o mundo (para mim), e de repente vem a vida como sabe tão bem fazer, ser um puto de um camião TIR e bufaaaaaaaaaaaaaaas joelhos no chão, mão no chão, feridas abertas até à carne, trata aqui, sara ali, arde para caralho acoli, e tem que andar mais devagar e fazer repouso menina...

MAS EU NÃO SEI ESTAR QUIETA.

Sinto-me bem a mexer, a dançar, a interagir, a movimentar o corpo, a criar dinâmicas, a fazer yoga, é aí que me sinto eu, e se calhar TU (Deus, Universo, ponto denso de gases). Ainda não me percebi bem. Há dias em que sinto que quero muito movimentar-me porque te encontro nesse movimento e ainda por cima quando estou aí não tenho medo da Morte, e há outros em que sei que se não parar, algo me vai parar antes que eu queira. E aceito parar. E fico. E sereno mais. E reflicto mais. E pondero mais. E escrevo mais. E tudo e tudo e tudo.

Mas porra, é imperdoável esta merda de não haver previsibilidade e ao mesmo tempo meteres-me dias quase iguais, sensação de que estou num loop infinito de acorda-deita-acorda sem se passar nada de novo e extraordinário, e que já gastei todos os jardins para caminhar aqui à volta de casa... Já inventei todos os jogos para fazer, mas até de mim já estou às vezes um bocadinho cansada. Dos meus jogos, criações e depois crio de novo (porque só criando faço frente à morte. Crio para destruir a morte dos elementos que em conjunto fazem nascer nova energia, novo mundo, novo eu.) E depois fito o horizonte. E fico cansada a pensar se será uma luta inglória. E depois lembro-me que não é luta, que é dança e que eu adoro dançar, e como danço... e como tenho saudades de dançar. E logo eu que dancei dança do ventre. O circular, o jogo de cintura, a sedução da vida. E de repente pareço tão quadrada, qual valsa compassada, que se repete num jogo geométrico de sol-nasce-sol-se-põe.

E eu aqui. Assistente disto tudo. Participando disto tudo. E achando que percebo de um bocadinho de um qualquer isto, descubro que não percebo nada.

Caríssimos, para que inventaram vocês o manual de instruções se não me presentearam à vinda com o meu!?

Seria tão mais simples nestas horas de aflição, em que não se sabe como se deve proceder, (se é que se deve merda alguma) ir à página x do manual xyz ver a definição da melhor ação possível. Como se fosse um resultado de jogo de dados, que nos manda avançar para a casa 1 pelo trilho a, com passagem pela ponte pedonal b, falando com a pessoa y e dando atenção aos buracos na rua t.

ERA TÃO MAIS FÁCIL CARALHO!

E esta merda espetacular de eu ter uma visão do mundo que é SÓ minha também é gira sim senhor, e permite estes textos trágicómicos, e que outras almas que vibrem em frequências parecidas se revejam, se sintam curiosas, se incendiem também através deles, mas puta que pariu meus senhores, não seria mais fácil se vocês oferecessem uns óculos com uma app que permite ao outro, olhar o mundo com as nossas lentes para que nos entendessem, compreendessem e quiçá validassem!?

É que já nem sei o que dizer dessa conversa yogui de tens que te bastar a ti mesmo. Somos seres sociais for GOD sake. Podemos obviamente não estar nem aí para a opinião dos outros, mas terão que ser "outros" bastante irrelevantes. Não podemos cagar na teia do mundo das pessoas, porque meus queridos... dependemos uns dos outros, logo essa ideia de ser asceta no cimo do monte parece-me ser só via para alguns que cá vieram e já foram ou andam ao engano ou sei lá, é mesmo o seu propósito de vida (se é que essa merda existe mesmo. Depois mandas cá pra baixo um filme como o Soul e uma gaja fica ainda menos esclarecida, sim, porque com a quantidade de life coachs que para aí anda a apregoar "encontra o teu propósito" já não percebo um pequeno caralho quanto mais dois.)

Para além disso, dentro desse mítico manual poderias dedicar um outro manual que desse indicações para as relações interpessoais, a.k.a. como não estragar relacionamentos amorosos, de amizade, profissionais e ainda sentir-se realizado em todas elas, sem abdicar de merda alguma em alguma delas, ou abdicando, um manual de como lidar com essas escolhas de merda que se têm que tomar. Isso porque não quero cá antidepressivos que com essa bosta não sinto nada (been there, done that, don't want to go there anyfucking more...May God bless me). 

A sério! Se me explicarem só, como realizar uma escolha sem abdicar de algo, sem renunciar a algo, já abdicava do manual (um bocadinho só!). Não sei que coisas dizer, a quem dizer e como dizer, aprendo como se deveria dizer, fazer, e construir, e de repente como se fosse um elefante numa loja de porcelanas esmerdo tudo, esbardalho tudo, e penso para mim..."Here we go again". E agora que escrevo isto estou a ler-me a achar que sou uma verdadeira Drama queen, e que quem ler isto vai ficar com a sensação de que eu sou uma inadaptada da piça, azedinha como a nata que passou da validade há um mês, e/ou achar que estou com uma depressão ou início disso.

Pois que vos informo que não é nada assim. Que tudo isto que boto cá pra fora é simplesmente ligação direta ao meu veículo espacial que me transporta neste planeta. E por ser ligação direta às vezes pode dar choque. Não é o mesmo que uma chavinha bonitinha na ignição à qual se dá a volta e tudo funciona, tudo se movimenta, tudo está em conformidade.

Queria tanto saber qual a melhor opção para a escolha, queria tanto não ter que ficar a cismar se fiz a melhor, se poderia ter feito de outro modo, se a minha escolha terá uma consequência dolorosa ou até agradável. Queria saber também se esta sensação de desorganização que sinto no peito (que me faz sentir que os dias são iguais a si mesmos, mesmo que eu encontre sempre pequeninos pedaços de diferença e os leve no coração como pequenos balões de oxigénio que me animam a alma) vai passar rápido.

No livro de instruções também deveria de aparecer um capítulo dedicado a paragens de emergência e a instruções em caso de emergência. É que sinto o peito desorientado num choro que quer começar desmedido, mas que eu não quero que se instale. É como se eu quisesse parar a cheia que sinto que pode principiar a qualquer momento, porque esse não é o sentimento que eu escolhi para passar os meus dias. Já agora, se me ensinassem a ser mais resiliente, a resistir ao desespero depois de mil "nãos", a sentir-me confortável nos dias menos bons sem ter um desejo imediato de resolver o desespero da forma mais imediata possível... também era um serviço à comunidade. Ou isso, ou deixarem escrito no manual. Ajudava sim senhora.

Digo muitas vezes que quero paz, que quero tranquilidade, que quero calma... porque sempre me senti no lado oposto da montanha russa, nos picos altos e baixos e nunca naquele caminho que segue tranquilo a ver a paisagem como o comboio do Douro. Mas quando se me é ofertada a possibilidade de a sentir, de a viver mais a fundo, ocorre-se-me um medo que vem das entranhas como se não conseguisse Ser sem ter algo que Fazer.

E mais uma vez aí, entranha-se em mim a sensação desagradável de não perceber nada disto, de não ter sido convocada para esta jornada com o meu conhecimento, e aqui me encontro aos apalpões, aos pontapés, cotoveladas, joelhos no alcatrão e mão no chão, esfolada mas ainda viva, à procura do caminho que se calhar até já estou a percorrer mas que nestes dias mais atrozes de plena desorientação acho que não. (Apesar de já ter sempre aqui um grilinho falante dos bons  (e não dos chineses) a dizer que vai passar, passa sempre, já sabes que este é o teu ciclo desorganiza-organiza-desorganiza-organiza)

Se calhar era só atualizar as tais lentes. Se calhar elas estão já gastas, desalinhadas, pequenas, baças... Se calhar já me diziam também como é que se mudam estas lentes assim de forma mais fácil não?

(odeio essa vossa formazinha irritante de o nosso coração saber a resposta!)

E a forma como aparece na nossa mente, como um balão reluzente, a palavra "Aceitação" bailando como se fosse resultado de uma meditação profunda.

E como é se aceita?

E veem? Continuo na idade dos porquês. Parece que aprendi tão pouco...

Seria mesmo útil o tal manual de instruções.

Seria mesmo.

Por favor..."

13
Fev21

Ontem ia-me mijando a rir

Humorosa

Caríssimos, imaginem a cena:

Acabam de jantar, bebem uma frize limão para ajudar à digestão, e depois, nos instantes seguintes, lembram-se que decidiram jantar no carro (numa tentativa de desviar o cansaço que há em jantar ou na sala ou na cozinha), mas que decidiram levar o carro até ao parque eduardo sétimo na tentativa de ter uma vista melhor do que os prédios da frente, e que estão à rasquinha pra mijar. Pois é. Mesmo me tendo passado pela cabeça inúmeras vezes que estava de noite, ninguém me veria a regar uma árvorezinha das muitas que para lá havia, decidi que iria aguentar até voltar para casa. No caminho, qual odisseia de Homero, ao subir os últimos lances de escadas do prédio (que isto agora não tá bom para usar elevadores) começo a proferir as seguintes palavras de forma repetida e melódica "Gyoza de pato. Gyosa de pato. Gyosa de pato." e irrompe-se-me um riso de ir às lágrimas sabe-se lá porquê, que quase me impossibilitou chegar a casa sem soltar um pinguinho. QUASE.

Posto isto, questiono agora se este confinamento não estará seriamente a afetar a minha saúde mental.

Quem é que caralho se desata a rir pelo som das palavras Gyosa de pato?

Tou toda fodida.

É isto.

08
Fev21

Diz que isto de fazer serões a ver filmes românticos não funciona...

Humorosa

Anda aqui uma gaja a ter que lidar com o facto de o vizinho de cima decidir por bem, passar a noite inteira a gritar com os seus demónios de guerra (gostaria de estar a brincar aqui mas não estou) quando pensa:

"Esta noite é que vai ser."

Só para preparar os sonhos deliciosos vamos lá pôr um romancezito a rolar... Sai na roleta "Call me by your name" que deu ares de "Herdade" desde o início pela lentidão, mas que lá começou a aquecer o pipi mesmo com uma história homossexual.

Assim sendo, o que deveria ter sido uma noite calminha acabou por se revelar um misto de arousal (só escrevo em ingalês porque adoro o som desta palavra!) com questões existenciais do tipo "E se eu fosse a namorada daqueles atores?" "Será que eles são gays na vida real?" "Se não são caralho... fingem bem, puta que pariu!" "Será que eu estar a achar credível ao ponto de sentir pica me toca também a mim na sexualidade?"

E foi isto.

Ainda não sei precisar se esta insónia foi causada pelo senhor com PTSD ou se por estas questões existenciais levantadas pelo filme que note-se, nem acabei de ver!

(não percam os próximos episódios... porque nós, também não!)

05
Jan21

É dia 5 de janeiro de 2021

Humorosa

E eu, Humorosa Maria estou sentada no meu sofá, de portátil no colo em casa.

Se o confinamento me deixou um ascozinho de estar em casa? Sim deixou. Mas hoje estava um nevoeiro ótimo para a vinda de S. Sebastião e por essa razão a fuga que iria encetar logo pela manhã acobardou-se timidamente, e mesmo sem sono, fez-se o rebolation debaixo dos lençóis (sozinha tá!? que o gajo acorda cedo para ir para o ginásio.) e por lá se permaneceu mais um pouco.

Ora pois que agora, ao quinto dia do ano da graça de 2021 (porque todos já sabemos que quando se reescreverem os anais da história de 2020 começar-se-á com ao x dia do ano da DESgraça de 2020), encontro-me com todo um mundo inteiro de possibilidades uma vez que estou desempregada.

Poderia estar mais tranquila? Podia. Mas descobri que a empresa onde trabalhei e de onde vos escrevia diariamente decidiu não pagar a segurança social de dezembro, o que me levanta aqui uma pequena taquicárdia que traduzida para verborreia camoniana é mais ao menos isto: putaquepariucabroesdocaralhonaoconseguemfazernadadireitoeeuequemefodoraiososfodamerasopagaraquelamerdagastassemmenosemputasputaquepariu.

Ora pois que uma vez que aqui a gaja tem tendência para a antecipação ansiosa (olha que bonito isto ficou e deixou de ser algo duro como "a gaja é ansiosa, ou tem crises de ansiedade ou é maluca, ou nervosa ou stressadinha e todas essas caixinhas depreciativas do costume"), e está a modos que à espera de qual vai ser a próxima pedra a rolar-lhe para cima.

Assim sendo, para não apanhar na boca eternamente como Sísifo (acho que era este), decidiu começar a fazer workouts nas internets para poder dar na boca a essas "piedras rolantes" que por aí terão quiçá tendência de vir a rolar...

Talvez por isso esta noite tenha sonhado que mandei um belo soco de gancho nos queixos de um grande amigo.

But no panic, que eu sou professora de yoga e não concordo com a violência...

(o tempo todo).

31
Dez20

Dia ZERO | Later biatcheeeeeeeeeeees

Humorosa

Caríssimos e ilustres seguidores deste caderno diário humoral,

serve o presente post para vos informar que aqui a GAJA às 18h00 do dia 31 de dezembro de 2020 irá cessar funções com a sua atual empresa (local de onde vos escreve no momento) e depois irá para casa encetar um desenfreado movimento gastronómico para comemorar a noite de passagem de ano a dois, e pois que se o ano nos fodeu, acabarei este ano a foder.

Tenho dito.

Boas entradas e saídas se possível em sequência até que gritem bem alto pelo nOHHHHHHHHHvo ano!

E para hoje a banda sonora é imperial:

"Timeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee tooooooooooooooooooooooooooo sayyyyyyyyyyyyyyyy goodbyeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee ...."

30
Dez20

Fica a faltar 1 dia

Humorosa

...e bazo daqui!

Mas não é que o universo tem uma forma muito linda de me presentar e fazer pensar?

A 1 dia do fim, e de eu já me imaginar a reformular a minha casa por inteiro, dando uma de dona de casa desesperada, ou querida mudei a casa, liga-me um antigo boss, talvez o único HUMANO a perguntar se enquanto estava desempregada não lhe quereria dar uma mãozinha em documentos que eu tinha JURADO A DEUS nunca mais continuar a fazer.

"Ah mas é que eu preciso de alguém que escreva bem..."

E o meu ego a saltitar.

Mas o meu lado Hippie logo:

"GAJAAAAAAAAAAAAAA NÃO CEDAS AO DEMÓNIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! O DINHEIRO NÃO É TUDO! DESCANSAAAAAAAAAAAAAAA NÃO FAÇAS NADA"

E vem logo o ego:

"Será que aguentas sem nada para fazer sua cafagestazona!!?!?!? Já viste que se essa energia mental não é direcionada começa a fazer planos para descobrir a filosofia do universo....."

E depois vem outra personagem não sei de onde e manda os dois calarem-se.

Shiu.

Decido na primeira semana de janeiro.

Foda-se.

Vi ontem o SOUL. 

Repitam comigo "NÃO PRECISAMOS DE TER UM PROPÓSITO migos do coaching transbitrepessoal!"

EU NÃO PRECISO DE SABER SEMPRE E PARA SEMPRE O QUE QUERO FAZER.

EU GOSTO DE FAZER MUITAS COISAS PORRA!

E é isto.

Beijo da revolta.

Se me decidir eu aviso-vos.

Pirei de vez?

Talvez.

MAS AMANHÃ É FIM DO ANOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Em vez de ficarem com uma reflexão minha, fiquem com uma refração, para honrar a engenheira que fui noutra vida (algures entre os 19 e os 24).

28
Dez20

Pequena lista de infortúnios (ou de como preciso de...)

Humorosa

Ora então, BOASSS TARDEEEEEEEEES PESSOAS! (ou boas tardes a mim, caso ninguém leia, sniff sniff).

Imaginem esta minha segunda-feira, depois de 4 dias de Natal que souberam a férias grandes.

Volto a dormir com o gajo de quem tive saudades e que me faltava para que aquecer a cama e durmo mega agitada com calor ("porque eu só estou bem... aonde não estou...") e sem espaço na cama para acordar em diagonal, logo "acordo" em piloto automático e por sua vez, sem vontade nenhuma de encetar enormes esforços de me deslocar aos últimos 4 dias de trabalho neste querido calabouço com vista para a ponte vasco da gama (é literal!).

Ora aqui a gaja decide perguntar ao Oráculo (que ontem viu o Matrix e a gaja ficou a achar que o Oráculo sabia tudo), "podes dar aqui uma dia pró dia?" e ele sai-se com um texto grande do qual retive: "não faças dramas desnecessários. Reconta a tua história. E faz do teu mantra do dia "Este circo não é meu. Estes não são os meus macacos" e sim, tenho repetido o mantra de forma religiosa. (várias vezes...)

MAS, tudo começou quando decido fechar a porta, sair, entrar no carro e olhar para duas crianças pequenas com a sua lancheira fofinha e de repente: "FODA-SE! O meu almoço..."

Nisto volto atrás (já cheia de vontade como havia mencionado no texto supra) ponho as coisas dentro da malinha que por acaso tinha sido meio encetada na noite anterior, ponho o tupperware com a comida, fecho-o e de repente "CARAAALHOOO" entalei o dedo numa das abas. Doeu pra caralho e fez dói-dói. Mas no drama llama né oráculo. "Não é o meu circo. Não são os meus macacos." Prossigo. Chego ao trabalho a horas, sem vontade, quando decido estacionar, decido inverter a minha tendência de meter de cu e "POH" foi o som que ouvi. Fodi a frente do carro no passeiozinho "Ah é que a frente do carro é baixa.." Não ia com atenção foi o que foi. A culpa foi dos dois grãos de mokambo que desfiz em água para fingir café. E não ter os impactos do dito. Que também começo a achar que é uma granda treta foda-se. Já dormi bem em alturas com 2 cafés, era agora que isto mudava assim? Enfim... nem vou por aí.

Chega-se ao dito office, e sabe-se que estão cá duas das personagens que se preferia que tivessem emigrado para Nárnia, por tempo indeterminado (como o meu ex-contrato que acaba de forma mutuamente acordada em 31 de dezembro)

Algures no tempo descobre-se que a entrevista que ia ter e para a qual stressou que não tinha estudado não acontece (e é adiada para amanhã. APRENDE COM ISTO MIGA!)

Depois decide-se ir na mesma almoçar ao mítico estacionamento do LIDL já anteriormente mencionado nesta pequena casa virtual, e come-se a batata doce assada com o atum que se desenrascou e que me entalou o dedo, e fica-se com vontade de comer um bolinho (engana-se com uma tâmara.) Posto isto vai-se ao LIDL, fila, decide-se conscientemente esperar para entrar porque continua a haver fila (tipo tempos pré-apolipse do papel higiénico), compram-se coisas a correr, estou assim meio numa bolha, lembro-me do NEO e da sua sensação de não saber se estava num sonho, olho para o meu reflexo e penso que me devia ter pintado para não estar com esta cara de quem pinou fortemente durante toda a noite (só que nem isso), saio com as compras na mão, para não pousar o garrafão de agua no chão encosto-o ao carro, ele desliza e rasga-se na lateral gotejando lentamente, como que a lembrar a sensação do meu dia, estão a querer fazer-me gotejar lentamente a paciência certamente. Continuo sorridente a pensar que ainda bem que aprendi sobre fluídos, vazo parte do garrafão abaixo do rasgão e vou toda contente de regresso ao trabalho para onde não queria vir em primeira instância. Ah esqueci-me de vos dizer... hoje decidi pôr o GPS e ele mandou-me por uma estrada nunca dantes experimentada mas que garanto, nem mesmo quando estou no meu modo consciente e orientada haverei de repetir. Imaginem uma encosta a descer tipo aquelas da Madeira com os senhores a conduzir os carrinhos encosta abaixo e agora imaginem uma subida praí com 30% e eu em primeira numa estrada molhada a desejar que os pneus não fugissem. Ah e sim, uma estrada de duas vias, para carros de bois só se for. Rezo para não encontrar ninguém no caminho de volta. Rezo. Rezo mais, fode-te. Dois carros. Penso para mim que vou foder mais um bocadinho um carro que se me dá a taquicárdia quando passo rente a outro bólide em zonas apertadas... Safei-me. Eu que estava com frio até aqueço por dentro.

Estaciono. (Desta vez de cu, que não me fodem mais nenhuma vez...) e começa a cair uma BRUTAL CARGA DE SUMO DE LARANJA (que é a expressão utilizada pela minha mãe para designar uma chuvada do caralho).

Graças a Deus tenho um mini guarda-chuva e decido correr, devagarinho, para chegar cá acima.

Chego cá acima. Sol. 

Depois de descrever esta pequena saga a uma amiga ela diz-me: "Banho de sal grosso nisso".

E honestamente? Calha mesmo bem que tive em Rio Maior anteontem...

#SALGROSSOMETIDOPELOPESCOÇO

#CALMA.

 

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