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Humorário

(um diário de rir para não chorar)

(um diário de rir para não chorar)

Humorário

03
Mai21

Reencontrei-me com a Alice

Humorosa

Este fim de semana foi súbito no meu reencontro com uma amiga mesquinha que já não via como deve ser há algum tempo. 

Cruzava-me com ela pontualmente, como se a visse de relance, assim de fugida, como quem cumprimenta o vizinho que encontra quando vai ao pão.

De vez em quando, como bem mesquinha que ela é, tentava aparecer e imiscuir-se demais na minha vida, quando eu a estava ocupada a viver. Queria roubar-me tempo, espaço, e sabor. Sim sim, que ela queria saber todas as receitas dos doces da minha vida. Ela era tão amarga que se alimentava de me roubar as receitas dos meus doces deleite(s).

Sempre lhe fugi toda a vida desde que a encontrei pela primeira vez aos dezassete anos naquele dia em que parecia que ela me ia levar com ela "para lá de Bagdad".

Depois aprendi que fugir dela era pior, porque quando mais fugia, mais ela vinha no meu encalço, não fosse ela uma parte da minha sombra. Comecei a aprender a conviver com a vizinha Alice, na esquina do meu ser, uns dias melhor, outros dias pior, outros sem saber como lidar com ela...

Convivi sozinha no meu mundo com a Alice durante três anos e parece-me agora quando olho para trás que foi mais fácil conviver com ela quando não tinha pessoas a esperarem nada de mim, do que agora.

Ontem, dia da mãe, reencontrei-me com a Alice em casa dos meus pais. 

Começou por me fazer cócegas nos pés deixando-os a pulsar, depois começou a apertar-me as pernas começando a deixar-me uma sensação de não ter força para as manter em pé se não contraísse as coxas, depois apertou-me o estômago, a mente, e fez-me comer sem prazer, sem orientação e sem escolher o que metia à boca.

A Alice sempre foi maravilhosa a obrigar-me a fazer coisas que não devia, que não queria, e que não me são úteis.

É uma magia que ela tem, um encanto sufocador de quem não pode olhar para a vida sem a ver a ela primeiro, em tudo. É uma egocêntrica. Sempre foi. Quer a minha atenção por inteiro, quer o meu corpo por inteiro, e da minha mente não se ficaria por metade.

Como tentei não lhe falar, porque agora já sou uma gaja que impõe limites, ela quis deitar-se comigo.

Desatou aos abanões às minhas pernas, como uma pequena birrenta criança que me puxa para brincar mesmo que eu não queira, agitou-me os braços, o coração que pulsava na mais pequenina veia do meu ser, embrulhou-me o estômago em papel de jornal numa pasta indiferenciada de coisas digeridas e por digerir, e deitou-se comigo...

... e não me deixou dormir.

26
Out20

O meu cérebro dá 10 a zero aos produtores de novelas da tvi!

Humorosa

Vocês ainda não sabem mas eu tenho ainda assim uns pequenos pavorzitos que se relacionam com a saúde e/ou falta dela. Sendo filha de uma enfermeira era expectável que isto dos hospitais/consultas e médicos fosse super cool, só que não aconteceu.

Aqui a gaja não só não grama luzes azuis de ambulância como luzes azuis da bófia (conseguem adivinhar qual a profissão aqui do pai da criança? B-ó-f-i-a, isso mesmo).

Voltando atrás...ou melhor, dando um salto até amanhã de manhã ...

Dizem que me comprometi a ser uma mocinha bem ajuízada e a não falhar com o compromisso de ir às consultas de rotina e às malfadadas ANÁLISES AO SANGUE (isto escrito em letras garrafais para vocês terem real percepção de como o meu querido cérebro lê uma coisa tão fácil que se faz em menos de 5 minutos... (notem ainda que a parte do meu cérebro que escreveu esta parte é uma parte racional e esperta, a que se borra de medo foi a que escreveu em CAPS LOCK e curte mais sexo e prazer porque pronto é um bichinho que ou sente medo ou prazer... coisas de ser humano))

Posto isto, é natural que ontem ao fim do dia, já com a noite a entrar em fim de dia mais cedo, o meu querido cérebro decidiu começar a produzir quantitativamente várias narrativas dramáticas, dignas de uma CMTV ou na verdade, dignas das telenovelas da TVI, e elaborou dramaturgicamente todas as possibilidades mais dantescas para o meu momento de ir tirar sangue, todas elas desenrolando-se à volta do desmaiar e/ou morrer. (Sim, eu disse que isto tinha tónico de TVI).

O mais lindo disto tudo é que isto me acontece sempre, desde que eu, há muito muito tempo era eu uma criança, me deu a pequena macacoa quando fui tirar sangue, só que depois disso, já muitas foram as vezes que se seguiram e apenas estive a fazer figura no cadeirão de quem tinha um vibrador enfiado no rabo e outro na pachachita, porque tudo tremia tudo abanava. Para quem não sabe chama-se ataque de ansiedade, e é chato para caralho.

Para mim que estou ali em modo vibrador até o corpo se cansar de consumir a adrenalina na corrente sanguínea, e para quem me vê, que acha que estou a ter um pequenino ataque de uma qualquer coisa que não se percebe muito bem, porque continuo sempre a falar, a dizer disparates normalmente que façam rir, e a pedir para falarem comigo mesmo que eu não faça sentido.

Isto de ter um cérebro criativo às vezes é fixe, às vezes é foda.

De hoje para amanhã tá em modo foda.

Espero que amanhã vos possa cá vir contar como fui rídicula e tudo correu bem, à parte de que me vou borrar de certeza num qualquer wc do hospital minutos antes de ser chamada (o que agora não dá jeito porque aquela merda é por ordem de chegada).

É isto, precisava que alguém me ouvisse, nem que fosse apenas o meu eu a ler isto enquanto escrevo, só para deitar cá pra fora a ânsia que teima em me fazer chorar que nem uma pequena criancinha a quem derrubaram o gelado... propositadamente.

Cérebro, vamos cooperar e mudar estas histórias para algo do tipo, amanhã ser um gajo todo grosso, olho azul a sacar-me o sangue e a mandar-me um piropo porque a minha máscara verde tropa faz pendant com os meus olhos verdes seco? Enquanto toca obviamente a música Careless Whisper em background.

Sim ? Sim? Pode ser?

Obrigada. 

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