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Humorário

(um diário de rir para não chorar)

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Humorário

13
Abr21

Do bonito que é isto de sentir emoções

Humorosa

Bom dia, bonjour de manhã (já quase a meio do dia),

Escrevo-vos para carpir uma situação que, apesar de compreender profundamente e até do ponto de vista científico, ainda assim me deixou desconfortável. 

E que situação é essa? INVEJA meus senhores, eu, humorosa a sentir inveja. Sobretudo de uma pessoa que é só a que me conhece há mais anos e se tem mantido na minha vida (e assim há-de manter-se até sermos velhinhos) e que é SÓ o meu melhor amigo.

Ora ontem contei-vos que por aqui as coisas andam assim meio bafientas, meio em paragem forçada, o lado direito, o da ação para quem percebe de cenas do yoga tá todo empandeirado como que a desafiar-me a parar e a confiar no Universo e ficar só a ver. MASSSSSSSSSSS isso para mim é uma puta de uma tortura. Não sou a melhor gaja para "leaps of faith" e normalmente só me apercebo que isso aconteceu bem depois de ter acontecido e quando olho para trás. No momento, decidir que me vou atirar de um precipício sem paraquedas ou corda salva-vidas não é bem a minha ideia de diversão portanto tenho tendência a resistir a ideias sem chão.

Mas voltando ao sentimento de inveja... Ora pois que aqui a Humorosa tem muito a mania (já não sabe se nasceu assim ou não) de tentar ajudar meio mundo e o outro. Já está bem melhor e já não deixa de comer para dar aos outros o seu lanche (só em casos mesmo mesmo messssssssssmo extremos) mas continua a não conseguir lidar com o facto de ter ferramentas que podem ser úteis aos outros e não as dar de bom grado e por vezes gritá-las bem alto até que a ouçam.

O meu Respetivo diz-me sempre "essa parte não é da minha responsabilidade" mas para mim, é sempre minha, porque eu existo em interação com o outro, uma interdependência tão intrincada que por vezes até chega a ser comovente não a vermos. Por isso desculpem-me os meus colegas professores de yoga que apregoam aos sete ventos o conceito de "DESAPEGO" mas eu acho que vos falta ler algo sobre a Teoria da Evolução das Espécies, Darwin e até António Damásio... Assim só para começar.

MAS...voltando à inveja.

Não é que dei comigo a perguntar-lhe como é que ele estava e tal, porque ele é um gajo distraído e basicamente quando está mal eu sei porque ele fala e quando está bem ausenta-se do pedaço, e ele diz-me que está maravilhoso, tudo a correr sobre rodas e finalmente sente-se bem e feliz. 

De notar que eu fiquei super contente por ele, até porque eu tenho uma parte de responsabilidade nesta mudança de mindset, porque ao fim de tanto tempo ele decidiu ouvir-me e fazer psicoterapia. Eu própria fiz durante 6 anos e sei bem o quanto mudou a minha vida, e eu sabia, por lhe conhecer os detalhes mais sórdidos que ele próprio também iria beneficiar disso mesmo. E está a beneficiar! E isso é maravilhoso. E mais, está a ter uma relação com um sexo incrível, consegui sentir a intensidade e a magnificiência só pelo conjunto de breves palavras que me escreveu...

E de repente aquilo que aprendi no curso de Inteligência Emocional começou a acontecer - uma Mistura Emocional. Tanto estava super feliz por ter contribuído para a felicidade de uma das pessoas mais importantes e mais antigas na minha vida, como estava fodida por neste momento não estar a sentir-me bafejada com esse EROS pela vida, seja porque estou entravada da perna direita, tenho um buraco no lugar do ex-siso, sinto que me vão mandar parar as aulas de yoga para recuperar da mazela da queda (deixando de parte uma das coisas que mais sentido dá à minha vida), não encontro trabalho, estou farta de estar a gerir os nãos, as ausências de resposta, a sensação de que esta puta desta pandemia nunca mais acaba, e de repente o facto de ter a agenda preenchida com aulas de yoga começa a parecer-se mais com uma prisão nas horas de início da manhã e da tarde do que eu gostaria. 

Tudo toldado por este amargo de boca de eu ter para mim uma vida e um objetivo que claramente não é o que está a acontecer no momento. Não posso pinar sem ter dor, não posso fazer aula sem ter dor, tenho que me aguentar até ir à consulta, continuo a mandar cvs e nada, já me falta o fôlego para tentar abordar pessoas da área e até me meti numa cena na tentativa de fazer networking que agora me parece também que eventualmente não vai dar em merda nenhuma...

Em resumo, a inveja que senti permitiu-me perceber que estou impaciente por uma vida que desejava viver e que claramente não é a que no momento estou a ter. Se posso fazer algo para mudar? Creio que tudo o que posso estou a fazer... Vou resolver primeiro a parte física, tentar motivar-me diariamente, construir pequeninos momentos de felicidade e humor, e a verdade é que se calhar vou abrandar a procura de trabalho... quanto mais chafurdo mais desmotivo. Universo-Deus dai-me um bocadinho de paciência por favor ... precisa-se.

Quanto à inveja, quando a sentirem, não a afastem, pensem só o que é que ela vos poderá estar a querer dizer, a mim quis claramente dizer-me que eu também adoraria estar-me a sentir no pico da sensualidade e a sentir que todos os nós da minha cabeça se desatam. Feeling good like I should e neste momento isso ainda está tipo o botãozinho vermelho da tv que ficou em standby porque se deixaram dormir no sofá e a tv se desligou sozinha...

Talvez tenha que aprender a estar em stand by ... me.

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