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Humorário

(um diário de rir para não chorar)

(um diário de rir para não chorar)

Humorário

31
Ago21

(a voltar, lentamente, de uma imersão na realidade)

Humorosa

THE TRUELOVE
by David Whyte

There is a faith in loving fiercely
the one who is rightfully yours,
especially if you have
waited years and especially
if part of you never believed
you could deserve this
loved and beckoning hand
held out to you this way.

I am thinking of faith now
and the testaments of loneliness
and what we feel we are
worthy of in this world.

Years ago in the Hebrides,
I remember an old man
who walked every morning
on the grey stones
to the shore of baying seals,
who would press his hat
to his chest in the blustering
salt wind and say his prayer
to the turbulent Jesus
hidden in the water,

and I think of the story
of the storm and everyone
waking and seeing
the distant
yet familiar figure
far across the water
calling to them

and how we are all
preparing for that
abrupt waking,
and that calling,
and that moment
we have to say yes,
except it will
not come so grandly
so Biblically
but more subtly
and intimately in the face
of the one you know
you have to love

so that when
we finally step out of the boat
toward them, we find
everything holds
us, and everything confirms
our courage, and if you wanted
to drown you could,
but you don’t
because finally
after all this struggle
and all these years
you simply don’t want to
any more
you’ve simply had enough
of drowning
and you want to live and you
want to love and you will
walk across any territory
and any darkness
however fluid and however
dangerous to take the
one hand you know
belongs in yours.

05
Ago21

Estou numa formação do iefp

Humorosa

E não aguento.

Isto poderia ser tanto mais para todos os que aqui estão. Tanto mais!

Honestamente a única coisa que estamos a fazer é a gastar tempo, a cumprir com o ponto, a fingir presença, a morrer de corpo presente.

Sei que o mundo real é muito diferente do mundo unicorniano em que gostava de viver, e que por vezes ainda dou por mim a acreditar que existe, mas não consigo deixar de sentir paixão pela possibilidade transformacional de uma boa formação.

Uma formação que seja reeducação e mobilização da interação com as pessoas, para que elas verdadeiramente possam adquirir novas competências para sairem para o mundo melhores consigo mesmas. Mexer com elas. Deixá-las falar. Fazê-las falar. Fazê-las fazer. Interagir. Criar coesão. Criar grupo. Ser grupo. Aprender socialmente.

Isto de ter um formador a debitar lapaliçadas é doloroso para quem como eu quer, gosta e acredita que a educação tem o poder de mudar o mundo.

Sonho alto? Talvez. Mas é a minha alma que grita e agora ela já não se pode calar.

E obviamente a unica coisa que me dá alento é estar em modo parcialmente atento para ouvir pérolas com as quais poderei fazer humor mais tarde... ou daqui a mais uns dias, me aguardem!

04
Ago21

Um gémeo para cada nação

Humorosa

Gostaria muito de começar este post como o tinha idealizado hoje de manhã, quando o meu humor ainda não tinha decaído como um isótopo radioativo em fim de vida.

Adoraria escrever a maravilhosa carta de amor ao meu corpo, pedindo-lhe desculpa por todas as vezes que o maltratei, por todas as vezes em que o negligenciei e por todas as vezes me esqueci que o tinha. 

Queria pedir-lhe desculpa por todas as vezes em que o obriguei a fazer coisas que não queria, a percorrer distâncias enormes sem necessidade, a comer mais do que aquilo que precisava, a não descansar o que devia. Queria pedir-lhe desculpa por tudo isso, numa tentativa romântica, ainda que utilitarista, de ver se os meus espasmos decidiam ir assombrar outros gémeos que não os meus.

Como sou das perspectivas holísticas e integrativas sei bem que o que acontece no corpo é um grito de ajuda, mas a verdade é que me sinto uma mãe completamente inútil e incapaz de acomodar este choro que não entendo. 

Já fui a massagens de relaxamento periodicamente, já lhes dei de beber chá de camomila a rodos, em pachos como antigamente, massajei com amor e carinho, meditei, relaxei, fiz acupressão, acupuntura, comi bananas, estou a tomar ácido fólico, âmpolas que potenciam o trabalho do fígado, meditações de gratidão, escrita criativa sobre eles, desenhos criativos, enfim, todo um enorme manancial de técnicas e técniquetas e criatividades e mesmo assim, não há sentimento mais prevalente do que esta ingratidão por parte deles, que podiam simplesmente já ter decidido dar-me tranquilidade mental.

Não há nada mais irritante que é eu estar neste meio caminho, neste percurso intermédio, nesta pausa forçada, e ainda ter a sensação angustiante que posso ter para aqui uma bosta de uma doença qualquer com a qual vou ter que conviver durante o resto da vida. Sei que isto é pensamento catastrófico. Sei que isto é enviesamento. Mas puta que pariu... deixem-me dizer isto porque é isto que eu sinto. Tenho um medo enorme. São 2 meses e uns dias e eles continuam a bombar qual coluna de som em pleno woodstock. O médico diz que é ansiedade. O médico queria dar-me ansiolíticos e um relaxante muscular oral para mandar abaixo a tensão muscular. O médico quis, mas desta vez consegui verbalizar que eu não queria. Que eu não queria ficar a babar-me, com náuseas de adaptação ao medicamento, quando eu me sinto bem. Neste momento é só mau feitio, e acontece apenas por já terem passado 7 meses e eu ainda não ver um futuro profissional à vista, estar farta de conviver com as mesmas pessoas, nos mesmos sítios, no mesmo esquema casa-passa-se-dia-noite-tv-cama. FARTA sabem?

Farta desta incerteza misturada com a certeza dos dias. Um certo que me prende a uma incerteza. Uma incerteza que me prende ao certo. Uma dança e uma paralisia, ambas, em simultâneo, como o corpúsculo-onda átomo de que somos feitos. A dualidade na sua essência. A dualidade que não separa mas que parece tanto que separa.

Os dois gémeos. A separação de uma perna em cada nação. Uma nação conhecida à qual posso voltar e garantir a segurança da sobrevivência e outra nação, um quinto império que não vejo mas que intuo que existe e no qual almejo vir a cumprir o meu propósito.

Estou na jornada do herói. Em mais uma. A matar dragões. A encontrar mais sombras. A perceber que o mundo se faz nesta dança do "do nothing-do something". E a perceber que eu deixei de dançar há uns tempos e de repente tenho este convite que a vida me está a fazer para seguir a fanfarra.

É como aquele rapazinho que sabemos que gosta de nós, mas é apenas o urso fofinho, e nos convida para a dança da vida dele e nós não queríamos, vamos por cortesia, meio a medo, sem capacidade de dizer que não porque acreditamos que também não virá de lá grande mal ao mundo. Mas toda a dança é passada de olho no bonzão apetecível que dança com a sua irritantemente elegante respetiva, parecendo que nunca será areia para o nosso camião.

Não quero continuar a aceitar meias. Meias são para os pés. Quero tentar levar este processo, este caminho menos percorrido, até ao seu fim. Não sei quanto tempo vai durar. Quero ter a certeza de que sou inteligente para me colocar também limites, barreiras e não entrar numa situação insustentável.

Sinto-me só. De repente parece que os laços mais próximos me abandonaram ou que estão todos mais ocupados a viver a sua vida. Sinto falta que me perguntem "como está essa procura?" "queres ajuda?" "queres combinar para falarmos sobre isso?". De repente páro e percebo que essa pessoa sou eu. Sou sempre eu. Eu que procuro o outro, porque acho que é na relação com o outro que cresço. Olho para a minha constelação de amigos, de conhecidos, de pessoas e sinto uma pequena dor.

Como é possível que existam pessoas-estrela que não me conhecendo há tanto tempo me reconduzam mais a mim do que outras de um passado diário e frequente?

Dizem que as crises levam à reflexão. Eu sempre achei que a minha era apenas profissional. Que tonta fui. 

Como me pude esquecer que quem leva todas as personagens do que sou, quero ser, ou finjo ser, sou Eu? 

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