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Humorário

(um diário de rir para não chorar)

(um diário de rir para não chorar)

Humorário

05
Mai21

Uma questão de proporção estequiométrica

Humorosa

Ontem foi o dia de me recordar dos ensinamentos de Química. Eu era boa àquela merda. Mas boa ao ponto de ter sacado um 20 numa das faculdades de engenharia mais difíceis do país (daquelas que roubam a alma aos mais distraídos como quase aconteceu comigo...)

E porque é que isto é relevante? Porque tenho sentido a minha tendência de enviesar os meus "achievements" para o negativo, esquecendo-me e desvalorizando aqueles que foram reais prodígios (na minha medida apenas) como esta bela situação e como eu adorava fazer aquelas contas de proporções estequiométricas onde tudo batia certo e era previsível.

Bateu cá uma saudade e um desejo parvóneo de criança de que a vida pudesse ser assim... calculável, previsível, ponderável, equilibrável, entre outras coisas, equilibrada.

E de repente, aquela esperança unicorniana de acreditar no prazer de viver lembra-me que, bem vistas as coisas, ela até é assim, equilibrada, com proporcões estequiométricas, e que olhando bem, há realmente aqui uma qualquer proporção aurea a dourar o invólucro do sentir. 

O volume do soluto negativo tem sido maior do que o volume da solução geral, por isso, para equilibrar as coisas, basta lembrares-te de adicionar mais soluto positivo na solução.

E lembrares-te sempre que a solução és tu.

E tu sempre foste boa a Química.

😘

04
Mai21

Descobri que tenho a mania que sou importante

Humorosa

Ontem, num processo de escrita violenta como vómito entendi uma coisa essencial sobre mim.

Em primeiro lugar tive vergonha, depois fiquei triste, depois percebi que talvez tivesse extraído mais um pedaço de mim que me daria luz sobre as sensações desafiantes dos últimos tempos.

Tenho sido o corpo aberto para análise e a minha médica legista. E o mais bonito é que não estou morta. Mas por vezes o meu medo de morrer funde-se com a sensação de morte lenta, de mais-um-dia-igual-aos-outros que agora, por falta de energia ou força (sei lá eu) parece que não estou a conseguir transmutar.

Foi como se no início a raiva que tinha de tudo isto me estar a acontecer (leia-se pandemia, ajustes na relação, perda de emprego, quedas e questões de saúde) me empurrasse contra um batalhão de bárbaros qual Ásterix e Óbelix e começasse a desancar tudo à chapada... 

... mas eu avançava.

Ou eu sentia que avançava.

Agora quando acordo numa casa que não é minha, por muito que tente relembrar-me que a única casa que é minha e que é fixa é o meu corpo, é como se me faltasse a minha raiz, as minhas conquistas, os meus sucessos, os meus afazeres, aquela pressãozinha boa que me ajuda a sentir todos os dias que vou conquistar o mundo.

Agora parece que meteram a cassete em slow motion e os dias são feitos de um arrastar de pés, de um cansaço corporal que não sei de onde apareceu (mesmo que racionalmente me lembre que dou 8 horas de aulas de yoga), e de uma sensação de que estou a repetir o ano, olhando para a mesma pessoa vezes sem conta, sem conseguir olhá-la com novidade e magia por demasiada exposição diária mesmo que saia de casa vezes sem conta para regressar depois numa tentativa de olhar e pensar "E agora? Já te acho novamente mágico? Brilhante? Misterioso?Sedutor?" e depois percebo que vejo baço, esfrego os olhos e entrego-me à sensação de... sim, está baço. E talvez a culpa não seja dele, nem minha, seja de ambos, seja do mundo, seja sei lá do quê. Dos chineses talvez?! ahah

Mas não quero fugir com o cu à seringa. O tema que se quer trazer à luz do mundo para que se queime, tal como os vampiros quando se assomam à luz do dia é que EU SOU UMA MENINA EXTREMAMENTE MIMADA QUE QUER QUE O MUNDO GIRE À SUA VOLTA E QUE TODOS LHE SATISFAÇAM AS NECESSIDADES TODAS E NÃO TOLERA A FRUSTRAÇÃO QUANDO AS COISAS NÃO LHE CORREM COMO ELA QUER.

Algures numa das vezes que decidi fazer o meu mapa astral havia uma parte que dizia assim:

"You have an internal struggle between your needs and your wants."

E eu fiquei... foda-se. Não é que é mesmo?

Porque aqui a gaja sabe sempre o que quer, mas será que é disso que necessita?

Cheira-me que vou andar a minha vidinha toda à procura desta resposta....

Desta e da mítica:

"QUAL É A MEDIDA CERTA PARA AS COISAS CARALHO?"

E pronto, aos 32 anos descubro que na verdade continuo uma criancinha birrenta com o gelado que acabou de comprar e que lhe caiu no chão no momento em que ia começar a lamber, e que não consegue ver que pode decidir ver que o gelado caiu por um propósito maior como por exemplo não ficar com cáries nos dentes... O que explica o investimento enormérrimo que durante a vida adulta tenho vindo a fazer em dentistas.

É isto.

Obrigada e bom dia :D

03
Mai21

Reencontrei-me com a Alice

Humorosa

Este fim de semana foi súbito no meu reencontro com uma amiga mesquinha que já não via como deve ser há algum tempo. 

Cruzava-me com ela pontualmente, como se a visse de relance, assim de fugida, como quem cumprimenta o vizinho que encontra quando vai ao pão.

De vez em quando, como bem mesquinha que ela é, tentava aparecer e imiscuir-se demais na minha vida, quando eu a estava ocupada a viver. Queria roubar-me tempo, espaço, e sabor. Sim sim, que ela queria saber todas as receitas dos doces da minha vida. Ela era tão amarga que se alimentava de me roubar as receitas dos meus doces deleite(s).

Sempre lhe fugi toda a vida desde que a encontrei pela primeira vez aos dezassete anos naquele dia em que parecia que ela me ia levar com ela "para lá de Bagdad".

Depois aprendi que fugir dela era pior, porque quando mais fugia, mais ela vinha no meu encalço, não fosse ela uma parte da minha sombra. Comecei a aprender a conviver com a vizinha Alice, na esquina do meu ser, uns dias melhor, outros dias pior, outros sem saber como lidar com ela...

Convivi sozinha no meu mundo com a Alice durante três anos e parece-me agora quando olho para trás que foi mais fácil conviver com ela quando não tinha pessoas a esperarem nada de mim, do que agora.

Ontem, dia da mãe, reencontrei-me com a Alice em casa dos meus pais. 

Começou por me fazer cócegas nos pés deixando-os a pulsar, depois começou a apertar-me as pernas começando a deixar-me uma sensação de não ter força para as manter em pé se não contraísse as coxas, depois apertou-me o estômago, a mente, e fez-me comer sem prazer, sem orientação e sem escolher o que metia à boca.

A Alice sempre foi maravilhosa a obrigar-me a fazer coisas que não devia, que não queria, e que não me são úteis.

É uma magia que ela tem, um encanto sufocador de quem não pode olhar para a vida sem a ver a ela primeiro, em tudo. É uma egocêntrica. Sempre foi. Quer a minha atenção por inteiro, quer o meu corpo por inteiro, e da minha mente não se ficaria por metade.

Como tentei não lhe falar, porque agora já sou uma gaja que impõe limites, ela quis deitar-se comigo.

Desatou aos abanões às minhas pernas, como uma pequena birrenta criança que me puxa para brincar mesmo que eu não queira, agitou-me os braços, o coração que pulsava na mais pequenina veia do meu ser, embrulhou-me o estômago em papel de jornal numa pasta indiferenciada de coisas digeridas e por digerir, e deitou-se comigo...

... e não me deixou dormir.

30
Abr21

Pari mais um: o Humor poético

Humorosa

Buenas tardes vida!

Para quem leu o meu último post em modo Rocky Balboa, já sabe que a minha intenção era a de neste boteco poder encontrar 4 tipos de escrita de humor (o Rottweiller, o Zen, o Depré, e o Xitex), no entanto, hoje pari mais um: o Humor poético. E é nesse mood que se processará o rol balbuciante de hoje. (*som de voz a clarear*)

 

Encontro-me comigo numa dormência desconhecida

De repente todo o meu corpo se me estranha

Logo eu que ensino aos outros como não se estranharem a si próprios.

De repente vem uma tristeza, uma amargura, um desalento,

Sinto-os nos intestinos como se me roubassem o sangue do corpo,

E o deixassem de fora de mim,

Sobrando apenas, novamente, formigueiro.

Fugiu-se-me o calor das entranhas,

Do coração,

Da mente,

Do Ser.

Fugiu-se-me a alma para parte incerta,

E eu, procurei-a desesperada no que fui,

Nas memórias de quem fui,

Recuperando-as para mim,

Num esforço de pelo menos me lembrar de onde vim.

Não quero negar as minhas origens

Ainda que elas sejam muitas vezes a minha causa de dor,

Ou eu seja a consequência delas, 

Mesmo vendo que com a dor veio a resiliência,

Esta vontade de ser mais, de viver mais,

De acreditar que é possível sair do "tic tac estalado das máquinas de escrever".

As suculentas não querem água,

Eu preciso dela, desespero por ela,

E por isso não posso,

Não mereço,

Nem vou ser,

Tratada como uma.

Começa em mim.

Vou só ali regar-me.

Reerguer-me.

Como de costume.

28
Abr21

Era para ser uma história infantil (só que não), mas afinal sim.

Humorosa

Tinha-vos prometido uma história infantil caso a Ressonância Magnética corresse bem com o título "A minha primeira ressonância Magnética".

À primeira vista pensei escusar-me de o fazer porque o meu primeiro impacto, após o processo de quase 1 hora, imóvel no tunelzinho de cabeça e pés de fora a congelar a alma e os dedinhos todos, foi de que correu mal como a piça.

Toda uma pressão para estar quieta, um pé dormente que começou a subir à perna, 3 técnicos a rodarem entre si, "vai desistir agora?", "está a ficar ilegível", e um "o pior é para si..." depois, e olhando obviamente para a situação com alguma distância (de apenas 1 dia), reparo (com a ajuda de quem sabe ouvir, entender e acomodar a minha existência) que não foi assim tão mau e que não fugi, encarei o melhor que pude e fui grande em coragem, num exame que por si só já é difícil.

Assim sendo, retive a minha aprendizagem e consegui compreender que há uma dificuldade generalizada de acomodar a minha diferença, fazendo-me sentir anormal, estranha, mariquinhas, piegas, sensível e com a mania que preciso de psicoterapia para a vida toda.

Como se tudo o que se sente não fizesse sentido refletir para aprender mais e melhor sobre o mundo, para nos vermos refletidos nele, para olharmos para o que somos e podemos ser.

De repente já não estou na ressonância magnética, ou até poderei estar, mas desta vez os feixes que são disparados na minha direção, são mais uma vez feixes de incompreensão e invalidação do que sou, da forma como vejo a vida, e são levados como "as coisas são só o que são. Nem toda a gente anda para aí a fazer psicoterapia e a refletir sobre tudo o que lhe acontece..." e de repente passo por vários níveis de emoção:

1. Dor no peito por sentir aquelas palavras como uma flecha que invalidam na totalidade a minha forma de viver o mundo;

2. Tristeza por estar a ver que a cada dia que passa o fosso se afunda ao invés de se aproximar

3. Raiva que utilizo para bradar aos céus "NÃO PRECISO DE PENSAR COMO TU. E SE QUERES CONTINUAR NESSA VIDA SEM REFLEXÃO FORÇA... SÓ NÃO ME FAÇAS SENTIR QUE EU NÃO PRECISO DELA. ELA É VÁLIDA PARA MIM, EU SOU ASSIM, SE NÃO TE SENTES BEM COM ISSO É PROBLEMA TEU. LEVA AS TUAS CONVIÇÕES PARA ONDE QUISERES MAS DEPOIS NÃO ME VENHAS PEDIR AJUDA QUANDO O TEU CORPO TE FAZ AFUNDAR NUMA INÉRCIA QUE NÃO SABES DE ONDE VEM. PROTEJE-TE DE TUDO, DE TODOS OS PROCESSOS REFLEXIVOS PARA NÃO IR DOENDO E DEPOIS ESPANTA-TE QUE O CORPO TE GRITE!!!!!!!!!! E ISTO NÃO É UMA QUESTÃO DE VISÃO, OU DE MINDSET, É UMA QUESTÃO CIENTÍFICA, COMPROVADA E MESMO QUE NÃO FOSSE, ISTO TUDO ESTAVA DEMASIADO BEM MONTADO PARA SER APENAS ALEATÓRIO. DIZ COMIGO: TODA A CAUSA TEM UMA CONSEQUÊNCIA E TODA A CONSEQUÊNCIA TEM UMA CAUSA. (Tou tão fodida a escrever isto que quase afundo as teclas do pc para dentro mas adiante...)

E neste momento penso que ultimamente tenho feito um esforço enorme, hercúleo, para criar momentos criativos, diferentes, expansivos, numa tentativa de te mostrar o meu mundo e sentir-me bem neste espaço a dois, e de repente vejo (COM MUITA PENA) que a motivação está pelas ruas da amargura...

Não pude deixar de pensar no que sinto, e na forma como já me estou a começar a borrifar para as partilhas que faço contigo... lembro-me bem de num passado distante me dizeres que enquanto estavas a trabalhar não gostavas de ser interrompido pelo meu ressaltar palpitante de alegria quando recebia uma encomenda e ta queria mostrar no momento, lembro-me bem de como as minhas tentativas de sensualizar, sair, fazer diferente, eram completamente bloqueadas, e de como tentei acomodar isso tudo, mas agora onde está essa vontade? Essa energia?

E de repente no meu fundo, no fundo da minha pior pessoa, penso e dou graças a Deus pela pandemia e necessidade de afastamento social... de estarmos confinados à mesma pessoa, e não a novas pessoas, Novinhas em folha para me iludirem e reluzirem como cristais acabadinhos de limpar com ajax... (e olha que eu sei que nem tudo o que reluz é ouro, mas só para ter o prazer de me voltar a sentir sensual, querida, desejada quase que valia a pena cagar no Covid... quase)

Há tanto dentro de mim que eu quero abraçar. Que eu quero amar. Mas todos esses pequenos pedacinhos que te entrego são condicionados ao momento, ou ao não momento, ao respeito individual, ao espaço que não se trespassa, ao espaço interno que já demorou muito a chegar onde está e que agora está guardado com bulldozers e seguranças E EU ESTOU A VER MUITO BEM. Porque quem vê de fora vê tão melhor do que quem está dentro a dormir em serviço (porque não refletes...) sabes? e repara... caguei, vou parar de vender a minha ideia para respeitar a tua... é legítimo sermos diferentes sim senhor...

mas se isso terminar o que viemos fazer um com o outro... So be it.

Cansei de ser sexy.

Cansei de querer que o meu lado da barricada ganhe.

Vou só ali aprender a ser eu, a gostar de ser eu, da "diferença positiva e única que causas no mundo" e se por acaso ainda aí estiveres quando eu voltar logo vemos...

Senão sabes?

Como aprendi hoje...

É melhor aprender "a errar depressa".

É mais útil, 

Mais rápido,

Mais eficiente como tu tanto gostas. Para não perder tempo. Bem feitinho até nos colocávamos numa app e ela fazia a validação do match. Oh espera... Nós conhecemo-nos numa app... (sentes o ácido?)

Por outro lado, como dizia o meu amigo quase astronauta, "Como podes saber se gostas de donuts se só pensares neles? Precisas experimentar e sentir para saber se gostas ou não."

E é isso que vou fazer...

Em conjunto com a recomendação da minha querida Diana:

"Dê-se tempo para perceber..." 

 

PS: Auto aviso à navegação: Não te esqueças que a tua abordagem funciona para ti, serve-te, e por isso não tens que abdicar dela!!! Não deixes que os outros continuem a invalidar a tua realidade, a dizer-te que não podes estar sempre em processos reflexivos. Podes fazê-lo porque tu já sabes quando parar, quando vale a pena, quando não vale, tu sabes. E mais, faz parte da tua necessidade de estímulo intelectual, de curiosidade, de compreensão e de atribuição de significado ao mundo. É a tua experiência. É especial e única. Se não compreendem está tudo bem. Quem perde é quem não tenta penetrar no olhar do outro com curiosidade. Eu faço isso. Eu considero sempre isso. Quem não faz é quem perde. 

26
Abr21

Escrevo a minha dor ao som de música cubana para ver se ela se transforma em rum

Humorosa

Acordo de uma noite em que o kebab do almoço de ontem andou a dançar danças de salão com o meu interior, numa ascensão e descida vertiginosas, como se de uma criança dentro de um elevador se tratasse e estivesse a carregar em todos os botões para cima e para baixo...

Acordo. O caralho é que acordo. Não dormi. 

Tanta coisa a acontecer e tantas dúvidas existenciais adornadas pelo intenso sabor do frango apurado indiano numa chapata tostada que nem era italiana nem um pão de mafra mas que ficava a meio caminho de ambos, e dá-se-me outra vez aquele medo estúpido de falecer.

Ai que não sinto o corpo. Ai que tá dormente, ai que está o coração a acelerar, ai que se me está a dar uma emoção de terror, ai que o gajo já dorme e eu tou praqui a virar para cima e para baixo que nem um frango decentemente assado na grelha de uma qualquer churrasqueira portuguesa (nada contra os indianos, mas ainda estou para perceber que carne de frango foi aquela do meu kebab, fosse gato condimentado, não teria dado conta, não fosse a noite revolta no vale dos lençóis).

Giro giro é que esta merda de escrever com música cubana traz logo uma leveza ao que vos queria dizer. Logo eu que tenho andado com uma sensação de que não faço ideia do que ando praqui a fazer, ao ponto de questionar as minhas capacidades apesar de estar a gritar internamente de forma meiga o quão espetacular tenho sido para aguentar tanta coisa ao mesmo tempo (relembro? queda? joelhos fodidos? mão esfolada? siso com o caralho? discussões de 4 horas na minha relação? ajuste aqui? ajuste ali? mudar de casa outra vez? gerir a sensação de estar a enlouquecer? não arranjar trabalho há já quase 1 ano e dois meses? enfim... tudo isso que só de escrever já me acidifica o kebab que já caguei... (perdoem-me a visão do inferno))

No meio de tudo isto ando a tentar colar os meus bocadinhos e a fazer listas de coisas que gosto que normalmente são encabeçadas por músicas da disney, seguindo-se-lhes o pão, dançar, cheirinho a café, escrever, cozinhar, desenhar, criar, poesia, caminhadas (que depois da minha primeira RM de amanhã voltarão à carga), apanhar sol, ler livros, comprar livros, organizar coisas, comer comidas novas, pintar, maquilhar-me, vestir-me com collants aos corações para partir corações aos ortopedistas, bolinhos de canela e erva doce com todas as formas e feitios... enfim, uma lista infindável de coisas que fazem o meu EU EU e que me fazem lembrar que não, não estou assim tão louca, tão perdida, tão desorientada...

Ainda respiro e como e "cumo" tal (só para os mais atentos ...) continuo VIVA e com capacidades de desfrutar desta vida lidando com imponente categoria, ou não, com este medo que assola qualquer ser vivo com capacidade de consciência - o de que iremos falecer.

Achei que uma queca ia resolver isto. Dantes resolvia. Mas se calhar não resolveu porque a dança sensual que fiz ao meu respetivo, após trancá-lo na varanda, resultou numa discussão porque ele não percebeu a minha intenção e achava que o estava a punir por me ter dito que eu tinha a mania de nunca tirar as meias de dentro das calças...

Como veem, só isto, já faz a piada do texto.

(qualquer humor ácido que possam identificar é apenas causado pelo suco gástrico em resultado de uma má digestão de um kebab comprado entre a almirante de reis e o martim moniz).

Já agora, fica a nota que de agora em diante me vou permitir a escrever os textos aqui no humorário de acordo com 4 tipos de humor. A saber:

  • Humor Rottweiller - Caracterizado pela raivazinha que acidifica a alma mas ainda assim divertido

 

  • Humor Xitex - Caracterizado pela alegria genuína de quem sente que vai conquistar o mundo. Pela excitação pode conter gralhas ou erros ortográficos

 

  • Humor Depré - Caracterizado pela nuvem cinzenta que só chove em cima de mim enquanto faz sol em toda a área que não sou eu, mas que ainda assim faz rir pela deprimência. Pode ser acompanhado de períodos de choro e riso em simultâneo quer de quem escreve quer de quem lê.

 

  • Humor Zen - Caracterizado por uma energia de puro relaxamento causado por inalar a aromaterapia natural do festival boom. A sensação é a de um budista a cantar mantras no meio de um campo minado e em guerra.

 

Posto isto, claramente hoje estamos em Humor Rotweiller. Dentinhos de fora, espumar da boca e bola para a frente que amanhã vou fazer a minha primeira Ressonância Magnética. Aqui vos prometo que se correr bem escreverei uma história infantil de seu nome: "A minha primeira Ressonância Magnética" com uma moral e tudo.

Até amanhaaaaaaaaaaaa meus senoressss

"me gusta mulata....se come tambíen... iri riririri bom...." (é o que tá a tocar enquanto termino post...)

Já estou a sentir a moca do Sparrow...

[ia pôr aqui um .gif mas o sapo mandou-me foder.

Eu ia, mas já o fiz ontem, e segundo parece é muito "agressivo" comer duas vezes seguidas banana...]

Auf auf...

(é o canito a ladrar...)

Fui.

22
Abr21

Tive um date de tinder... com um médico.

Humorosa

Bons dias alegrias (que é mais boa tarde mas não importa... e é aqui que começo a pensar que se calhar não estou tão desempregada assim, porque tenho começado os meus dias bem mais cedo do que o habitual (em média às 7h) e o cabrão do tempo escorrega-se-me por entre os dedos!)

Ora pois que a gaja andava manca desde que tralhou epicamente de trotinete devido à sua incapacidade de utilizar o córtex pré-frontal e aceder com clareza ao local onde estavam os travões, e decidiu marcar consulta num ortopedista.

Ora pois que já vos havia contado o quão orgulhosa estava da minha segunda escolha, isto porque o que meu primeiro impulso (tão característico da minha pessoa) foi escolher o primeiro médico jeitoso de fronha que apareceu na lista do hospital, isto porque, já que quando vou a hospitais os meus bpm estão sempre acelerados, poderia dizer a mim mesma que era porque o doutor era uma bomba! (E meus senhores, aquele mocinho tinha muito bom ar... para médico então, estava muito bem conservadinho. A questão aqui, foi quando respirei fundo e de repente à minha frente pude ler (para evitar o erro de não ver os travões como aconteceu na trotinete) "Especialista em próteses de anca e outras coisas que tal..." Ora muito orgulhosa da minha capacidade de análise racional fui correr à procura de um especialista de joelho e até de medicina desportiva... mesmo que fosse feio.

Bom, não era um terror, só não apelava à vista...

E a questão estaria toda bem se ontem não tivesse sentido que tive um encontro às cegas, daqueles maus do tinder em que pedes às tuas amigas para te ligarem para dizer que tens que abandonar porque o cão delas foi envenenado com chocolate e elas precisam de apoio...

Só que eu não tive nenhuma amiga que me ligasse. Tive que durar aqueles 10 minutos, pagar 32,50€, saber que vou fazer uma ressonância magnética que ainda por cima a gaja me disse que tinha que ir em jejum porque podiam ter necessidade de me ESPATAR (sim eu sei que se escreve espetar mas é para dar mais ênfase à coisa) uma merda pela veia para me fazer brilhar PU DENTRO... pagar por isso e quem sabe descobrir que talvez tivesse que ser operada ao joelho caso tudo corresse mal... Podem imaginar que os meus acarinhados pensamentos negativos começaram a fazer uma rave tipo BOOM festival mas com muita droga à mistura. 

Mas voltemos atrás, imaginem então euzinha, de vestido preto e collant aos corações a entrar pelo gabinete e a deitar o olho ao olho do médico.

"Boa tarde Dr."

"Boa tarde, então o que veio cá fazer?"

(na minha cabeça a resposta foi: "Vim jogar solitário ..." ri-me para dentro e saí-me com o sorriso mais bonito que tenho com:)

"Bom Dr., caí de trotinete elétrica, caí de joelhos, e mão, e agora tenho dores no joelho direito, aqui" (e começo a levantar-me para poder tirar os collants e ele ver e ele diz:

"Não precisa tirar. Aponte."

(O meu ar de pókemon confuso foi claríssimo...)

"Err... mas assim como é que vê?"

"Descreva a dor."

(Na minha cabeça: Olhaaaaaaaaaaaaa meu caralho, dói-me de fora pra dentro e sempre que levanto a coxa foda-se. Queres o nível? DOI PRA CARALHO!!!! Agora já não doí muito que andei quietinha e a fazer gelo que eu sou uma menina exemplar...)

"Bom, dói nesta face lateral e naquilo que me parece ser a inserção das estruturas do joelho. Mas não seria melhor observar?"

(Não vi mas aposto pela postura corporal que ele me fez um mega rolling eyes...)

"Bom, vá lá pra marquesa."

(Eu super cheia de vontade palpitante fui, deitei-me e ele começa a mexer e a perguntar "Dói?" "Dói?" "Dói?" e eu a querer interromper para lhe explicar que fazia yoga, corria, caminhava longos percursos e ele ainda me diz que "O yoga não faz carga nos joelhos...))

Levanto-me da marquesa, visto de novo os meus collants aos corações pretos e ainda sem olhar para mim diz-me "Pronto agora vai lá fora marcar a ressonância e depois volta cá..."

E aí inspirei fundo, fui buscar às minhas entranhas de artista teatral o meu melhor "SIM SIM" e bazei dali a achar que se eu tivesse pedido um pacote de batatas fritas num macdonalds em macdrive teria sido mais calorosamente tratada.

18
Abr21

É Domingo e eu a falar de ratas

Humorosa

Tive um dia bom. Fui passear, apanhei sol, andei por sítios que não conhecia, em suma, um dia agradável para quem como a Humorosa gosta de conquistas a novos territórios e sol na face.

Não obstante, enquanto apanhava a roupa, senti uma enorme vontade de chorar, como sinto agora, neste momento. Aparentemente, seguindo a metodologia da Inteligência Emocional principiei à procura do que essa emoção me quereria dizer. A tristeza traz consigo a avaliação de algo como perda. Algo que perdi pelo caminho. Mas o mais engraçado é que aparentemente assim à primeira vista, não havia razão nenhuma para sentir que tinha perdido algo, pelo menos não no momento.

Arregacei as mangas, pus o monóculo, e qual Sherlock Holmes, comecei à procura do rato escondido que roía o calcanhar do meu estômago...

Assim que pus as lentes nos olhos a primeira coisa que comecei a ver foi bem de perto, bem definidos, ninhos de ratos meus senhores, ninhos e ninhos de ratos, uns mais fofos que outros, mas todos eles num muito pouco apropriado e ameno ajuntamento.

Comecei a dar-lhes nomes... 

- A avó Rata e a sua aparente quase-morte-a-acontecer

[A avó Rata já pregou muitos cagaços e sempre se safou. É rija e vai continuar a ser.]

[Se a avó Rata morrer pelo menos vai ficar em paz e serenar de uma vez por todas porque também já sofreu muito]

[Nem os médicos conseguem ser futurólogos. Vamos respirar um dia de cada vez, e agir momento a momento]

- A Ratita sensual sob ansiolíticos e que se esqueceu de quem era, vestindo-se agora apenas de leggings e roupa de desporto

[A Ratita sensual aparece sempre que tu quiseres, só tens que a praticar diariamente.]

[A Ratita sensual não precisa de estar sempre viva porque ela também gasta muita energia. Que ela possa aparecer quando for conveniente]

[A Ratita sensual nunca vai morrer dentro de ti. Está-te na massa do sangue essa vida.]

- A Rata desempregada e a sua tentativa de correria na roda do hamster-patrão

[A Ratita desempregada está a usufruir de férias pagas até Março de 2022.]

[A Ratita desempregada tem estado a investir na sua formação e não tem estado parada]

[A Ratita desempregada tem-se virado à vida como nunca, dando-se a conhecer de todas as formas e maneiras por isso a mensagem há-de chegar a quem tem que chegar]

- A Rata duvidosa, com todas as suas dúvidas existenciais

[A Rata duvidosa vai sempre existir dentro de ti. Só tens que a mimar quando ela começar com as dúvidas e lembrá-la que independentemente de tudo estarás sempre com ela e que é normal ter dúvidas. Andamos cá todos aos papéis]

[A Rata duvidosa e as suas dúvidas permite-te olhar para as áreas incómodas da tua vida levando-te a decidir se queres fazer algo a respeito delas ou só continuares a queixar-te]

[A Rata duvidosa permite-te escrever sobre temas existenciais com humor]

- A Rata que quer ajudar os outros mas que fica na dúvida se o seu caminho é por ali, se terá capacidade, e se quererá dedicar o seu tempo a isso

[A Rata que quer ajudar tem que se lembrar que ela se sente sempre melhor em fazê-lo do que ao não fazê-lo]

[A Rata que quer ajudar tem que se lembrar que pode ajudar desde que isso não mine o seu tempo e o que define que deve ser o seu espaço]

[A Rata que quer ajudar já tem experiência para perceber quando o seu espaço está a ser invadido e não gosta disso por isso pode sempre parar]

- A Rata que não se gosta de sentir triste

[Todas as emoções são importantes e nos ajudam a reflectir sobre os pensamentos que andam na nossa cabeça e a forma como estamos a ver a vida naquele momento. Aceita essa informação e processa. Só isso]

[A tristeza permite-te pedir ajuda a alguém, aproximar-te de um amigo, refletir com detalhe sobre o que passa. É só energia mais baixa e sensações mais desagradáveis mas... não vais morrer]

[Não é por estares triste que vais entrar em depressão, o mundo continua bonito e tu continuas a conseguir ver essas pequenas belezas por entre as lágrimas]

- A Rata cansada que não se gosta de sentir cansada

[A Rata tem feito muito exercício na rodinha por isso é normal andar mais cansada]

[A Rata está mais cansada porque tem estado em dor de forma mais constante e por isso está mais sensível e impaciente. Normal]

[A Rata está cansada porque não é uma superheroína nem mete pra veia prota da grossa. Viver normalmente também cansa e está tudo bem. Não vou morrer]

(a esta altura olho pra lista de baixo e penso que 3 pontos positivos para cada rata é cansativo...)

- A Rata que se culpa por ter tido uma noite de insónia por não ter conseguido gerir o pensamento de "isto tá tudo a correr muito bem" mesmo depois de um dia inteiro a estudar regulação emocional

[A Rata merece amor. A Rata não acerta sempre e está tudo bem. Assim valoriza mais quando consegue.]

[A Rata não precisa de ser perfeita. Não é inferior ou burra por não ter conseguido desta vez gerir a situação]

[A Rata não vai morrer, como não morreu, nas outras mil noites de insónias que já teve, e consegue sempre aproveitar o dia, tal como aproveitou hoje. Só ao fim do dia é que o cansaço deu espaço a esta pequenina tristeza]

- A Rata que tem saudades de pessoas e de festas e de dançar em festas

[A Rata tem todo o direito de sentir saudades de pessoas e cheiro de suor e diversão porque a Rata é uma Rata social]

[A Rata poderá combinar uma festa com amigos para dançar desde que com regras e máscaras]

[A Rata pode decidir inscrever-se em aulas de dança presencial e festas com segurança]

- A Rata que está cansada de ver sempre a mesma pessoa e falar com a mesma pessoa ainda que fale com trinta outras pessoas diferentes

[A Rata tem todo o direito de estar cansada de estar sempre com a mesma pessoa num contexto de 24/7 porque por mais maravilhoso que seja o Rato, é demasiado tempo para confiar a apenas uma pessoa com os seus interesses únicos e próprios que por vezes não se alinham com os da Rata. Está tudo bem. É normal que a Rata se sinta cansada e frustrada ao fim de um relacionamento de quase 14 meses sempre em alta rotação de presença e sustentação mútua em plena pandemia]

[A Rata pode combinar agora presencialmente estar com outras pessoas e falar do que bem entende]

[A Rata pode passar mais tempo fora de casa a fazer as suas coisas, inclusive com o seu computador]

- A Rata que tem saudades de conversas existenciais profundas com quem a entende

[A Rata pode ligar a quem tenha os mesmos interesses existenciais e falar, sem qualquer problema de consciência nenhum porque é para isso que servem alguns Ratos amigos especiais nesta matéria]

[A Rata pode ter conversas existenciais consigo mesma através deste blog, tal como está a fazer no momento]

[A Rata pode virar-se para a escrita e para a arterapia para libertar o que está a sentir]

- A Rata que tem pena que a Mãe Rata não se sinta feliz e que sabe que não pode fazer nada por isso

[A Rata tem que aceitar que a vida da Mãe Rata é só dela]

[A Rata pode ajudar a mãe rata a sentir-se melhor em pequenos momentos ligando-lhe]

[A Rata tem que continuar a fazer o seu caminho independentemente da Mãe Rata não o entender]

- A Rata que faz o melhor que pode para todos os dias ser um bocadinho mais feliz mas que tem consciência que há momentos em que não dá...

[A Rata tem que se lembrar de tudo o que tem feito até aqui e que lhe dá um enorme bem estar mesmo nos dias cinzentos:

1. Curso de Emoções para ratos

2. Abertura do boteco Humorário

3. Poemas, bonecos, e desenhos

4. Miminhos para si (unhacas, roupitxas, canetinhas para desenhar)

5. Yoga

6. Me time

7. Passeios, caminhadas, corridas...

(queres mais Ratica?)]

[A Ratica tem que se amar sobretudo nos momentos em que dá socos nos azulejos. Na verdade só estava a fazer um ensaio de tensão aos mesmos]

[A Ratica tem todo o direito de nos meio destes dilemas existenciais libertar a tensão por entre caralhadas, piretes, e putas que a pariuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu. Não ofende caralho!]

- A Rata que sente que precisava de psicoterapia ratal pro resto da vida porque tem ainda tantos nós no pêlo. Será que algum dia os desatará todos?

[Todos os ratos são loucos. Aprender a dançar na loucura]

[Se sentires que precisas podes sempre marcar com aquelas ratas de confiança um check up mensal para pôr as ideias em ordem. No stress]

[Vai usando as ferramentas que vais aprendendo sim? Sem pressão, sem perfecionismo. Só usar.]

- A Rata que ainda não pode fazer caminhadas e dança africana porque ainda tem um joelho fodido

[A Rata marcou consulta como uma rata grande sem ajuda da mãe da rata e vai resolver isso]

[A Rata vai aprender mais sobre o seu joelhinho e como se tratar daqui pra frente]

[A Rata tratou do seu joelho com amor, gelo e muita paciência para não caminhar em todas as estradecas pelas quais passou durante a semana que passou]

- A Rata rezingona que quando não faz as coisas todas como quer fica revoltada com o mundo e fica sem saber o que fazer, se se revoltar, se aceitar...

[A Rata rezingona é capaz de estar a precisar assim de um retirozinho sozinha para avaliar as suas necessidades, pode ser que apareça por aí algum]

[A Rata rezingona sabe sempre o que quer, só precisa de tentar abordar o tema com alguma calma e distância sem querer fuçar.]

[A Rata rezingona pode fazer uma lista das coisas que ganhou e que perdeu e dar valores/pontuação para tentar compreender o que pode e não pode mesmo abdicar]

(pausa nas ratas... afinal a ninharia era um ratagal ...)

De repente, encontrando tantas causas para este meu breve acesso de tristeza sinto uma voz de uma Ratinha ainda novinha mas já muito sábia que sussurra para mim: Tens razão para te sentir triste. Está tudo bem. Vamos lidar com todas essas ratas devagarinho, com calma, com compaixão, com tempo, para que as respostas possam ir surgindo... Não precisas de resolver tudo de uma vez. "Calma, o tempo é o seu melhor amigo..."

E de seguida, como manda a tática, voltou às Ratas atrás para lhes dar um banho de evidências entre parêntesis retos.

[Eu só sei crescer...]

15
Abr21

Uma manca vai comprar sushi para o almoço

Humorosa

Imaginem isto.

Uma gaja que após um mês de uma queda de trotinete, depois de saradas as feridas de carne viva que colaram nas fibras alinhadinhas das gazes durante noites a fio, está agora toda empanada mas sem sangue à vista. Se por um lado ainda bem que já não havia pachorra para cenas gore (que eu evito a todo o custo em filmes), quis o INTESTINO INTEEEEESTINO (lembram-se desta piadola cantada ao som do outro que canta mas diz Destino?) que a dor ficasse.

Foi tipo

(ler o texto abaixo como se fosse um colaborador de um call center super excitado, com tiques José Castelo Branco, a tentar vender aquele cartão de crédito que nunca irás precisar)

"MIGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA temos aqui uma promoção excelente, para além da queda e das mazelas com que ficas, acabas também por ficar com uma dor permanente e impossibiliante no joelho direito TOTALMENTEEEEEEEE GRÁTIS. Não somos amigos? É espetacular! E olha ... só porque gostamos de ti, e és uma clienteeeee especial, vamos ofertar-te ainda um acesso de raiva, para que possas quase partir a mão nos azulejos da cozinha do teu xuxu, depois de uma discussão estúpida com ele sobre a (para ti a não) palavra CUMO.. Não é fantástico????

Digamos que precisei de um dia em Cascais, a levar com chuva na tromba, a mancar entre museus, a trazer os ténis (SIM QUE AQUI DIZEMOS TÉNIS CARALHO) todos cagados de areia para casa e como não é a minha e eu ainda tou azeda deixar maquiavelicamente grãos de areia espalhados pela casa e não aspirar, para hoje, já estar com esta calma com que me encontro no momento (sim sim, isto é o meu "CALMA") 

Só por causa disso decidi que hoje era dia de ele comer sushi (que eu cá não ligo muito) para ver se lhe aliviava também a tensão que se lhe ocorreu logo pela manhã e lá saiu Humorosa, mancando, armada em campeã, descendo as escadas porque é uma "strong independente woman", mas no regresso, com dois sacos de peixe cru e arroz, olhou para o conjunto de escadas a fazer lembrar o Santuário do Bom Jesus do Monte (que nunca subi mas que fui pesquisar ao google para esta piada porque o estudei em história e me lembrava que havia um santuário com escadas pra caralho e que era ideal para esta piada), e decidiu vir à volta...

Manca, 

Lenta,

Mas à volta.

E não pude deixar de sorrir feita parvónea porque havia conseguido domar uma das vozes interiores: A militar bitch que adora corroer o meu espaço mental com gritos de tropa "1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 ou fazes mais difícil ou NÃO VALES NADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA"

Chupa puta.

Dei-me amor.

13
Abr21

Do bonito que é isto de sentir emoções

Humorosa

Bom dia, bonjour de manhã (já quase a meio do dia),

Escrevo-vos para carpir uma situação que, apesar de compreender profundamente e até do ponto de vista científico, ainda assim me deixou desconfortável. 

E que situação é essa? INVEJA meus senhores, eu, humorosa a sentir inveja. Sobretudo de uma pessoa que é só a que me conhece há mais anos e se tem mantido na minha vida (e assim há-de manter-se até sermos velhinhos) e que é SÓ o meu melhor amigo.

Ora ontem contei-vos que por aqui as coisas andam assim meio bafientas, meio em paragem forçada, o lado direito, o da ação para quem percebe de cenas do yoga tá todo empandeirado como que a desafiar-me a parar e a confiar no Universo e ficar só a ver. MASSSSSSSSSSS isso para mim é uma puta de uma tortura. Não sou a melhor gaja para "leaps of faith" e normalmente só me apercebo que isso aconteceu bem depois de ter acontecido e quando olho para trás. No momento, decidir que me vou atirar de um precipício sem paraquedas ou corda salva-vidas não é bem a minha ideia de diversão portanto tenho tendência a resistir a ideias sem chão.

Mas voltando ao sentimento de inveja... Ora pois que aqui a Humorosa tem muito a mania (já não sabe se nasceu assim ou não) de tentar ajudar meio mundo e o outro. Já está bem melhor e já não deixa de comer para dar aos outros o seu lanche (só em casos mesmo mesmo messssssssssmo extremos) mas continua a não conseguir lidar com o facto de ter ferramentas que podem ser úteis aos outros e não as dar de bom grado e por vezes gritá-las bem alto até que a ouçam.

O meu Respetivo diz-me sempre "essa parte não é da minha responsabilidade" mas para mim, é sempre minha, porque eu existo em interação com o outro, uma interdependência tão intrincada que por vezes até chega a ser comovente não a vermos. Por isso desculpem-me os meus colegas professores de yoga que apregoam aos sete ventos o conceito de "DESAPEGO" mas eu acho que vos falta ler algo sobre a Teoria da Evolução das Espécies, Darwin e até António Damásio... Assim só para começar.

MAS...voltando à inveja.

Não é que dei comigo a perguntar-lhe como é que ele estava e tal, porque ele é um gajo distraído e basicamente quando está mal eu sei porque ele fala e quando está bem ausenta-se do pedaço, e ele diz-me que está maravilhoso, tudo a correr sobre rodas e finalmente sente-se bem e feliz. 

De notar que eu fiquei super contente por ele, até porque eu tenho uma parte de responsabilidade nesta mudança de mindset, porque ao fim de tanto tempo ele decidiu ouvir-me e fazer psicoterapia. Eu própria fiz durante 6 anos e sei bem o quanto mudou a minha vida, e eu sabia, por lhe conhecer os detalhes mais sórdidos que ele próprio também iria beneficiar disso mesmo. E está a beneficiar! E isso é maravilhoso. E mais, está a ter uma relação com um sexo incrível, consegui sentir a intensidade e a magnificiência só pelo conjunto de breves palavras que me escreveu...

E de repente aquilo que aprendi no curso de Inteligência Emocional começou a acontecer - uma Mistura Emocional. Tanto estava super feliz por ter contribuído para a felicidade de uma das pessoas mais importantes e mais antigas na minha vida, como estava fodida por neste momento não estar a sentir-me bafejada com esse EROS pela vida, seja porque estou entravada da perna direita, tenho um buraco no lugar do ex-siso, sinto que me vão mandar parar as aulas de yoga para recuperar da mazela da queda (deixando de parte uma das coisas que mais sentido dá à minha vida), não encontro trabalho, estou farta de estar a gerir os nãos, as ausências de resposta, a sensação de que esta puta desta pandemia nunca mais acaba, e de repente o facto de ter a agenda preenchida com aulas de yoga começa a parecer-se mais com uma prisão nas horas de início da manhã e da tarde do que eu gostaria. 

Tudo toldado por este amargo de boca de eu ter para mim uma vida e um objetivo que claramente não é o que está a acontecer no momento. Não posso pinar sem ter dor, não posso fazer aula sem ter dor, tenho que me aguentar até ir à consulta, continuo a mandar cvs e nada, já me falta o fôlego para tentar abordar pessoas da área e até me meti numa cena na tentativa de fazer networking que agora me parece também que eventualmente não vai dar em merda nenhuma...

Em resumo, a inveja que senti permitiu-me perceber que estou impaciente por uma vida que desejava viver e que claramente não é a que no momento estou a ter. Se posso fazer algo para mudar? Creio que tudo o que posso estou a fazer... Vou resolver primeiro a parte física, tentar motivar-me diariamente, construir pequeninos momentos de felicidade e humor, e a verdade é que se calhar vou abrandar a procura de trabalho... quanto mais chafurdo mais desmotivo. Universo-Deus dai-me um bocadinho de paciência por favor ... precisa-se.

Quanto à inveja, quando a sentirem, não a afastem, pensem só o que é que ela vos poderá estar a querer dizer, a mim quis claramente dizer-me que eu também adoraria estar-me a sentir no pico da sensualidade e a sentir que todos os nós da minha cabeça se desatam. Feeling good like I should e neste momento isso ainda está tipo o botãozinho vermelho da tv que ficou em standby porque se deixaram dormir no sofá e a tv se desligou sozinha...

Talvez tenha que aprender a estar em stand by ... me.

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